Dica de leitura: A Maldição do Tigre

Por Caroline Nishi

Conta a lenda que há muito tempo atrás na India, existia um príncipe chamado Dhiren, ele foi criado com a melhor educação e treinamento militar que seus pais poderiam proporcionar. Dhiren tinha um charme natural, era um líder nato, transmitia segurança e despertava nas pessoas a vontade de querer segui-lo onde quer que fosse, além de ser muito bonito, claro.

Ele tinha um irmão mais novo chamado Kishan, ele era igualmente bonito e charmoso e amava Dhiren, mas vivia a sua sombra e isso o deixava com ciúmes. Apesar de amar o irmão, Kishan foi traído por seu coração, ele se apaixonou por Yesabai, noiva de Dihen e, desesperado para ter aquela linda mulher em seus braços, Kishan procurou Lokesh, pai de Yesabai e rei de terras vizinhas, para propor-lhe outro arranjo, em vez de Dhiren, Yesabai se casaria com ele. No entanto, o acordo foi quebrado e o ambicioso Lokesh desejava algo além da troca de noivos, uma coisa que somente os irmãos possuíam e para consegui-la estava disposto a matar quem cruzasse seu caminho.

De acordo com essa lenda, uma série de fatos culminaram em seu catastrófico fim. Kishan, tentando proteger o irmão que estava prestes a ser morto, saltou sobre Lokesh a fim de impedir o golpe fatal, ao mesmo tempo que Yesabai pulou sobre o pai para também impedir tal crime. Lokesh, por sua vez, ensandecido com seu propósito acabou derrubando Yesabai que, com a queda violenta sofreu grave ferimento e morreu nos braços de Kishan, que não pode evitar o assassinato do irmão.

Essa é uma historia que aconteceu há muito tempo atrás e virou lenda, e agora a sua verdade está prestes a ser revelada.

Trezentos anos se passam e vamos para Oregon, conhecer a amável e sarcástica Kelsey, ela tem 18 anos e está a procura de um emprego de verão. E apesar de ser uma jovem alegre com um futuro promissor, ela carrega consigo um lado solitário alimentado pela recente perda de seus pais e com isso, ela criou uma barreira em seu coração impedindo-a de amar verdadeiramente as pessoas com medo de um dia elas partirem também, nem seus pais adotivos conseguiram quebrar essa barreira, quem dirá outras pessoas.

Kelsey está a procura de um emprego, há uma vaga de assistente num circo que está na cidade e ela pensa “por que não?”, a coisa mais estranha que terá que fazer será ajudar a cuidar de um tigre e rezar para não virar seu almoço, ela decide aceitar, trabalhará por duas semanas e como o trabalho no circo começa muito cedo e termina muito tarde terá que dormir por lá mesmo. Uma das vantagens do seu cargo é que ela pode assistir o espetáculo e logo na primeira noite ela conhece o tigre Ren, ele é fantástico, todo branco com aqueles lindos olhos azuis que parecem dois pedaços do céu, mas apesar de toda a sua imponência Kelsey nota uma certa melancolia em seus olhos. Ela fica fascinada por ele e mal consegue esperar para começar o seu trabalho como assistente do Sr. Davis, o domador de animais.
Na manhã seguinte ela começa trabalhar com ele e conhece Ren, a identificação acontecem logo de cara e ela passa a visitá-lo todas as noites para conversar, ler Romeo e Julieta (claro!) e poesias. Ren parece gostar de sua companhia, presta atenção em suas histórias e fica atento a cada movimento seu, uma estranha relação nasce entre esses seres tão diferentes e semelhantes ao mesmo tempo.
Um dia durante o espetáculo acontece algo estranho, Ren entra no picadeiro, mas se distrai, procura algo na platéia e congela quando finalmente encontra Kelsey. Ela fica paralisada com o coração disparado e uma estranha sensação no estômago, tem certeza de que está ficando louca, aquele tigre não pode ter feito aquilo que acabou de fazer. Alguns dias depois surge um homem misterioso chamado Sr. Kadam, ele representa um homem muito rico que está interessado em levar o tigre de volta à sua terra natal, a Índia. Sua intenção é integrá-lo novamente com a natureza e para esta tarefa precisa da ajuda de Kelsey, ele propõe que ela acompanhe Ren garantido que sua viagem seja tranquila, que seja bem cuidado e alimentado levando em consideração a sua experiência no trato do felino.

Contudo, Kelsey não imaginava que essa viagem mudaria pra sempre a sua vida. Assim que chega a Índia, sem saber falar uma única palavra em hindu, ela é abandonada a própria sorte não tendo outra alternativa a não ser confiar nos instintos e senso de direção de Ren que a leva até um xamã para descobrir se ela é a protegida da deusa Durga, a garota predestinada a quebrar a maldição que o aprisiona há 300 anos na forma de um tigre.
E, a partir daí, tem início sua jornada mística rumo às histórias e os mais antigos mitos indianos repletos de deuses, maldições e muitos perigos. No entanto, os perigos mais temido por Kells não são estes que atentam contra a sua vida, são aqueles que assombram seu coração. Nessa imersão na cultura indiana, Kells descobre que seu lindo tigre branco na verdade é Dihren, o príncipe indiano da história que o Sr. Kadam lhe contou, que viveu os últimos 300 anos como um tigre e agora tem a oportunidade de quebrar a maldição… e roubar seu coração. E agora ela tem que aprender a lidar com essa confusão que o Ren-homem está fazendo com seus sentimentos, eles estão cada vez mais próximos, envolvidos nessa amizade que aos poucos se transforma em amor e todas as turbulências e desafios que ambos têm que enfrentar, Kells com seu amigo-tigre e agora possível namorado-príncipe e Ren com a mudança brusca de tigre para homem e todas as sensações que a proximidade com Kells está despertando no seu lado humano.

Uma história de amor arrebatadora como qualquer outra, mas que, diferente das outras, te mostra outra face do amor, aquele amor ideal, com o qual todos desejamos ter e oferecer, mas dificilmente conseguimos, aquele amor que não te aprisiona, te liberta, que não subtrai, soma, aquele amor que não te faz pequeno, te transborda e que te faz livre para escolher seu prórpio caminho. Este é um livro que você não se importa em ler duas ou três vezes seguidas, pois sua riqueza é tão grande que a cada leitura um detalhe salta aos seus olhos, é mais ou menos como os mistérios da Índia, que vão se revelando aos poucos diante de seus olhos. Vale muito a pena ler e mergulhar nessa cultura tão pouco explorada pela literatura, vale a pena sair desse marasmo que a cultura ocidental se tornou onde só se tem mais do mesmo.

A Maldição do Tigre é só o início da saga de Ren e Kells, a editora Arqueiro, detentora dos direitos de publicação no Brasil, tem previsão de lançamento do próximo livro, com o título provisório de O Resgate do Tigre, para maio, então para quem curtiu esse livro tanto quanto eu só nos resta aguardar.

Anúncios

Dica de leitura: Amanhã Você Vai Entender

Por Caroline Nishi

E se viagem no tempo fosse possível? Você já parou para pensar na possibilidade de mudar algo em seu passado que pode alterar todo seu futuro?

Miranda tem 12 anos e possui um fascínio especial por um livro de Madeleine L’Engle, que fala sobre viagem no tempo. Ela levava uma vida normal até o dia que seu amigo, Sal, apanhou de um garoto na rua e a tem evitado desde então. Mas este é só o começo das peculiaridades que surgirão em sua vida, além de não ter mais o seu melhor amigo por perto, a chave extra do seu apartamento some do esconderijo, a possibilidade de alguém ter invadido sua casa é grande e ela encontra um bilhete enigmático que não sabe de onde veio:

“Estou indo salvar a vida do seu amigo e a minha.
Peço dois favores.
Primeiro, você precisa me escrever uma carta.”

Outros bilhetes chegam à Miranda e ela fica preocupada, pois só uma pessoa muito próxima teria acesso a informações tão íntimas. E a cada bilhete que encontra está a prova irrefutável de que ela é a única apta a ajudar aquele desconhecido a realizar sua missão e evitar uma tragédia quase anunciada.

Uma história fantástica ambientada na real Nova York te apresenta de maneira simples e genial a Teoria da Viagem no Tempo, sem toda aquela porcaria de linguagem científica que você não entende “bulhufas”, te explica como é possível essa viagem acontecer e como funciona o mecanismo de tempo/momento/ na nossa vida ou em nossas muitas realidades.

Em 2010 Amanhã você vai entender ganhou a Medalha Newbery, entregue pela American Library Association às mais importantes contribuições norte-americanas à literatura jovem. Elogiado pelo The New York Times, The Wall Street Journal e The Washington Post este é um livro que não pode faltar na biblioteca da sua filha nerd.

Existe amizade entre homens e mulheres?

Por Caroline Nishi

Quando o Elamundo me convidou para escrever sobre este assunto eu não imaginei que ele fosse tão polêmico a tal ponto de ser objeto de estudos científicos tampouco fosse motivo para inúmeras matérias de revista e portais.
Pelo visto o Elamundo quer polemizar, então vamos jogar lenha na fogueira.

Durante minha pesquisa surgiram vários pontos de vista controversos, para este artigo busquei opiniões distintas, além de textos e estudos extraídos da internet, convidei amigos e amigas para participar da discussão e deixá-la mais democrática.

Será que a amizade entre um homem e uma mulher pode existir?

Oscar Wilde disse certa vez “não se pode haver amizade entre homem e mulher. Pode haver paixão, hostilidade, adoração, amor, mas não amizade.”, diante desta citação abrimos o assunto em questão, afinal o que torna a amizade entre homens e mulheres algo tão belo e confuso?

A amizade entre um homem e uma mulher pode começar despretensiosa, sem segundas intenções, apenas por afinidade, mas diferentemente de uma amizade com uma pessoa do mesmo sexo, a amizade entre um homem e uma mulher pode evoluir de uma maneira… diferente. Mas o que leva uma amizade evoluir para o “algo a mais”?

É natural dois seres do sexo oposto se atraírem, mais natural ainda você se sentir atraído por alguém com quem tem tanta afinidade quanto um amigo, ou melhor amigo. A maior parte dos meus amigos (homens) disseram que um cara dificilmente começa uma amizade sem interesse, muitas vezes eles desejam conhecer aquela mulher, mas não sabem como fazer, nem a maneira certa de chegar e a amizade se torna um bom caminho. Já as minhas amigas disseram que a maioria das vezes elas iniciam uma amizade simplesmente por afinidade, mas em alguns casos o tempo e a intimidade mudaram a visão que elas tinham do até então “só amigo”. E quando a amizade muda para um dos dois aparece também o medo de estar confundindo as coisas e perder a amizade.

Um caso típico que vale a pena usar como exemplo é o relacionamento de Ross e Rachel da série Friends, quem nunca assistiu DEVE assistir.

Eles são o supra-sumo da amizade entre um homem e uma mulher que se transforma em amor, racionalmente ela não é a mulher dos seus sonhos, mas, como ele mesmo explica, ela é a Rachel e isso basta. Ela, no entanto, nunca o viu como um possível amor, ele sempre foi o irmão mais velho da melhor amiga, porém as coisas mudam quando Chandler deixa escapar que Ross é apaixonado por ela.

E durante este processo de se apaixonar/esquecer/ou se declarar é interessante observar a dinâmica do “estar apaixonado” dos sexos, os homens mesmo apaixonados não deixam de sair com outras mulheres e a possibilidade de se apaixonar por uma delas nunca é descartada, já as mulheres não conseguem parar de pensar no ser amado e mesmo ficando com outros caras estão com a cabeça e o coração naquela pessoa. Isso me faz pensar em como somos patéticas.

Por que isso acontece? Este é um fenômeno novo, surgiu no século 20, ainda pouco estudado pela ciência. Tudo que li é meio contraditório, alguns dizem que é perfeitamente possível existir amizade entre os sexos, quando há maturidade e um consenso de que ficarão somente na amizade e outros dizem que essa é quase uma missão impossível, pois somos influenciados diariamente por novelas, séries e filmes em que o casal de amigos sempre estão fadados a acabar na cama.

Outro dado importante apontado em alguns estudos é que, mesmo que você vire para o seu amigo e diga “seremos só amigos, ok?!” e faça uma promessa de sangue, os seus hormônios não funcionam dessa maneira. Isso mesmo, os hormônios não funcionam assim e consequência disso é a tensão sexual que se vive em certas relações.
E é engraçado pois este “desejo reprimido” é tipicamente brasileiro, uma pesquisa feita com estudantes americanos revelou que metade das suas amizades que começaram com o sexo oposto envolve sexo. Dos que transaram com o amigo ou amiga 55% afirmaram que o álcool foi decisivo. (#ficaadica)

Diante de tudo que foi dito, opinião de amigos, estudos e etc qual a conclusão que tiro sobre o assunto, afinal, pode existir amizade entre um homem e uma mulher?

Chego a conclusão que sim, é possível haver amizade entre homens e mulheres. Pode haver uma troca mútua de conselhos, dicas, broncas, risadas, choros e confidências. Mas tenha certeza de que haverá um momento em que vocês se apaixonarão um pelo outro, poderá ser ao mesmo tempo ou em tempos diferentes, mas esteja certa de que um dia isso vai acontecer. A afinidade é foda, quando acontece não tem jeito, só não é tão irresistível quanto pele, mas ainda assim é mais perigoso porque não é só carne, tem outras coisas envolvidas como cumplicidade, sentimentos, gostos, histórias, sei lá, a vida dos dois no enlace do infinito (8).

Conselhos para dar? Quem sou eu para aconselhar alguém, mas se tiver alguém ai lendo este texto que esteja apaixonada por um amigo e não sabe o que fazer, te digo FAÇA. Fale, expresse seus sentimentos, uma vida bem vivida é aquela em que você chega no final da estrada, olha pra trás e pensa “poxa, valeu a pena”. Vocês são amigos, tenho certeza de que você encontrará uma forma de falar o que sente sem espantar o gato, essa é a vantagem da sua relação, você sabe o que fazer, conhece o outro. Então, procure sua coragem e vá a luta. Porque se você quer, tem muitas outras querendo também… pense nisso.

Quando se trata de pessoas não existe fórmula certa, tenho amigas que se casaram com seus melhores amigos, tenho amigos que continuaram apenas amigos, tenho amigos que se pegam de vez em quando, não tem regra, acontecerá do jeito que tem que acontecer. E se acontecer, escreva pra gente contando a sua história, será um prazer publicá-la no Elamundo.

Nota:
Preciso compartilhar algo que aprendi agora, alguém já teve a curiosidade de procurar o significado para afinidade? Pois então pasmem, Hollywood está certa, risos.

Afinidade: 3. [Química]  Tendência dos corpos para se unirem.

Você tem que assistir Orações para Bobby

Por Caroline Nishi

Você já ouviu falar deste filme? Não?
Bom, isso é comum pois este filme foi injustamente mal divulgado.
Um amigo da faculdade indicou e me preparou “você vai chorar horrores quando assistir”.
Eu pensei “então tá, é bom chorar de vez em quando” e fui assistir o filme. Só que eu não estava preparada para o que estava por vir.

A família Griffith parece perfeita, eles estão comemorando o aniversário da vovó. Todos unidos, rindo e brincando, a típica família norte-americana.
Mary (Sigourney Weaver), a matriarca da família, é uma católica devota e segue à risca os ensinamentos da bíblia sem nunca questionar. Ela é casada e tem 4 filhos, o seu favorito é Bobby, ele é perfeito aos seus olhos.
Bobby, apesar de se mostrar alegre e brincalhão, em seu coração há muitas dúvidas, ele sente que é diferente. Num desabafo, ele assumi que é homossexual e sua mãe não aceita. Mary acha que o homossexualismo, conforme dito na bíblia, é uma abominação e deve ser combatida, ela crê que seu filho está doente e passa a buscar tratamentos, desde consulta ao psicólogo a orações, cultos religiosos e até espalha bilhetes pela casa para lembrá-lo dos ensinamentos de Deus.

Bobby fica cada vez mais confuso e não se aceita como é por tudo que já ouviu sua mãe dizer e Mary, cega pela religião, não percebe que está perdendo o seu filho. Bobby, sem o apoio daqueles que ama desaba numa espiral de tristeza e angústia e acaba se suicidando.

E a partir daí preparem os lenços…

Apesar da grande perda, todos estão tentando levar a vida adiante, exceto Mary. Corroída pela culpa e pela falta que Bobby lhe faz, ela quer saber o que aconteceu com ele. Foi sua culpa? Foi a vontade de Deus? Por que Ele não o curou?

Este filme não é um blockbuster, ele foi feito para a TV, mas se tornou um fenômeno na internet. “Orações para Bobby” é a história real de um garoto que se descobriu diferente e foi condenado pela mãe e a história de uma mãe que teve que abalar os alicerces de sua crença para encontrar respostas para suas perguntas em busca do perdão do filho.

Quando me disseram que Sigourney Weaver (Alien e Avatar) estava no elenco eu tive certeza de que o filme era bom. Por este papel ela foi indicada ao Emmy e ao Globo de Ouro.

E não tenha dúvidas, chorei horrores assistindo, indico para todos, independente da religião ou opção sexual. Gostei do filme por tratar de dois temas ainda controversos entre si homossexualismo e religião, a ignorância em aceitar o diferente e como a religião não questionada pode causar estragos em nossa vida e na vida daqueles que nos cercam.

Assista o trailer:

http://www.youtube.com/watch?v=We5DBUZUFG4

 

O que esperar do filme Um Dia

Por Caroline Nishi

Acabou o período de provas da faculdade e finalmente consegui assistir um filme que se eu não assistisse me mataria.

Como você deve saber trata-se de uma adaptação da aclamada obra de David Nicholls, um britânico que soube retratar com maestria um romance tangível ambientado nas décadas de 1980 e 1990. Já escrevi para o Elamundo sobre o livro, que li e me emocionei horrores, agora me resta a difícil tarefa de escrever sobre o filme sem repetir os argumentos usados para descrever o livro.

A história de Emma Morley e Dexter Mayhew começa em 1988 na festa de graduação da faculdade e acaba na casa de Emma, melhor dizendo em sua cama. Um encontro casual que une um casal aparentemente oposto um ao outro e na noite do dia 15 de julho nasce uma amizade que perdurará os próximos 20 anos. A passagem de tempo é mostrada de maneira descontraída, haja vista que a história sempre se passa no dia 15 de julho, dia de São Swithin e dia que eles se conheceram, e a cada ano acompanhamos o processo evolutivo das personagens, situações e sentimentos que não são exclusivamente deles, poderiam ser nossos também e isso torna a história mais real e palpável.

No filme conhecemos uma Em inicialmente tímida, mas que com o tempo deixa transparecer o humor encantador que possui, uma garota sonhadora presa a uma realidade que não é aquela que sonhou e a um relacionamento em que o amor já não existe mais ou talvez nunca tenha existido. E essa frustração de Em vai contra a vida glamurosa que Dex vive, depois da faculdade ele decide viajar o mundo, quando retorna vira apresentador de um programa de televisão, namora modelos e apresentadoras badaladas e tem tudo o que um cara de 25 anos deseja ter: dinheiro, fama, mulheres e o mundo aos seus pés.

Mas estamos falando na vida real, onde tudo pode acontecer e a vida de ambos dá uma guinada de 360 graus. Emma consegue realizar seu grande sonho ao contrário de Dex que começa a entrar em decadência. No entanto, após tantos anos de encontros e desencontros e descobertas, eles se descobrem apaixonados um pelo outro.

Destino? Momento certo? Não sei ao certo, costumo dizer que destino não existe, o que existe são consequências das nossas escolhas e que o momento certo é você que faz, mas a vida real é bem mais complicada.

Às vezes é preferível aceitar que o destino coordena nossas vidas e se conformar que existe o momento certo das coisas acontecerem, mas é complicado dizer isso quando se conhece a história de Em e Dex, o que era óbvio para todos acaba acontecendo 20 anos depois. Quando eles se conheceram era notável a química entre os dois e como duas metades se encaixavam numa dança perfeita, mas será que ambos estavam preparados para viver aquele relacionamento? Será que aquele não era o momento certo de acontecer?

Bom, isso nunca saberemos, mas fato é que, por um curto período eles conseguem gozar de uma vida a dois e são bons e felizes nisso, mas como tudo que disse anteriormente, assim como dizemos que “destino” e “momento certo” existem, não podemos descartar a parte em que dizemos “faz parte da vida”. Quando achamos que tudo está perfeito em nossas vidas, vem algo que nos faz questionar alguns dos nossos mais sólidos valores e faz tudo ruir. Pensamos ser injusto partir quando você consegue ter tudo que deseja e sempre sonhou, pensamos no tempo exíguo que teve para ser feliz, mas amor e felicidade não se mensura pelo tempo que durou, mas pela intensidade em que se viveu, a eternidade pode durar um beijo ou os segundos de um suspiro.

Esse filme, como disse Anne Hathaway numa entrevista, é especial porque não se trata de um romance clichê com o famoso “felizes para sempre”, este filme não tem final feliz e te faz questionar o que realmente vale a pena nessa vida.

Observação:
Para os adoradores de livros tenho um aviso: o roteiro foi escrito pelo próprio David Nicholls. Então não tenham medo, entrem confiantes na sala que vocês não vão se decepcionar.

O que esperar de Amanhecer – Parte 1

Assisti a primeira parte do filme Amanhecer, baseada na obra de Stephenie Meyer e te digo, o filme não decepciona os fãs da saga.

Minha opinião sobre os filmes baseados em livros é muito crítica, sou uma leitora obsessiva, devoro livros e o que eu mais amo é entrar no clima das histórias, mas adaptações cinematográficas, principalmente as hollywoodianas, são pobres de detalhes, repleta de modificações e clichês tipicamente americanos. Quando li os livros me apaixonei logo de cara, li Crepúsculo em uma noite e fiquei fascinada pelo mundo – admito, não muito original – criado pela Stephenie Meyer. Deixo claro que esta não é uma história clássica sobre vampiros super sexies, sedentos de sangue que costumamos ver por aí, aliás, esta história não deve ser vista como uma história de vampiros, ela é mais uma história de amor, vamos dizer que é uma versão teen de Romeo e Julieta do século XXI.
Não devemos tirar o mérito de Meyer, pois graças a Saga muitos adolescentes tiveram coragem de ler um livro pela primeira vez, este é um fato muito importante numa sociedade que não possui tal costume.

Entrei na sala do cinema completamente cética, não gostei dos filmes anteriores da Saga, por terem alterado fatos importantes da história com atores aparentemente despreparados que não conseguiram acertar o tom dos personagens. Mas mais do que tudo isso, não gostei dos filmes por achar que os atores não condiziam com a descrição dos personagens em sua aparência tampouco sua psiquê. Enfim, adoradores de livros sempre estão fadados a este tipo de decepção, pois o personagem que criado em nossa imaginação é sempre melhor.

Amanhecer me surpreendeu de todas as formas possíveis, quando o filme terminou (#dica: aguardem o final dos créditos, tem algumas cenas especiais), saí em estado que choque, o filme foi muito FODA.
O filme começa com os preparativos do casamento de Bella e Edward, tudo lindo e maravilhoso, Alice como sempre sabe preparar uma festa. A cerimônia, os votos, o vestido de noiva da Bella, a piadinha infame do Emmett, a invejinha amarga de Jéssica, o humor peculiar de Charlie, tudo foi absolutamente perfeito, digno de um casamento épico.

Este filme seguiu fielmente a história contada por Meyer – confiem, li 10 vezes cada livro, sei do que estou falando -, não vou contar muito sobre a lua de mel, que também foi perfeita, ver Robert Pattinson falando o nosso querido Português é a coisa mais carismática do filme, dá até vontade de aprender a falar português (sarcasmo).

As cenas de sexo não são tão fortes assim, não é algo que sua filha de 13 anos nunca tenha visto ou ouvido falar – ou feito, mas deixa isso pra lá. Nestas cenas Kristen Stewart consegue mostrar o lado sensível de Bella que ficou tão oculto nos outros filmes, o lado engraçadinho e romântico que ainda não tínhamos visto. E é indiscutível a química que existe entre o casal, é como se fossem metades de um todo, eles se completam em cena. Os efeitos especiais também merecem atenção especial, todos sabem como Bella sofre com a gravidez de seu bebê meio vampiro-meio humano, seu corpo não é compatível com a força do feto e consequentemente ela enfraquece muito num período muito curto de tempo. Observem os efeitos especiais usados em Kristen, numa entrevista ela disse que não precisou emagrecer nem fazer dieta, eles usaram uma máscara para fazer com que parecesse cada vez mais magra (computação gráfica). Nesta parte da história a cumplicidade entre Rosalie e Bella fica evidente, ambas lutam pelo mesmo objetivo insano, o desespero de Alice por não poder ver o futuro de Bella, a raiva de Edward por não ter o que fazer e a parte mais fofa de todas, quando Edward começa a ouvir o bebê, essa cena é linda!

Jacob está indescritível neste filme, é impressionante o amadurecimento do personagem e seu criador, a discussão com Sam, a luta com seus irmãos para proteger os Cullens (que não existe no livro, mas acrescentou muito para a história) e por fim o momento em que Jacob sofre o imprinting*.

Uma das cenas mais intensas, além da lua de mel, são as cenas do parto, tudo muito realista, Bill Condon não poupou esforços nestas cenas e valeu a pena. O desespero de Edward em salvar Bella é comovente e emociona muito. E o filme acaba onde todos acharam que acabaria na transformação de Bella.

Eu já falei uma vez, mas não custa repetir, aguarde o final dos créditos, pois tem cenas especiais da continuação só para atiçar nossa curiosidade.

Vale muito a pena assistir este filme.

*imprinting: segundo a explicação de Jacob “é quando o que te prende a Terra não é mais a gravidade e sim a pessoa amada.”

Dica de leitura: Antes que eu vá

E SE?
E SE tudo o que você tivesse fosse um único dia. O que iria fazer? Quem iria beijar? Até onde se atreveria a ir para salvar a própria vida?

TALVEZ…
TALVEZ você possa se dar ao luxo de esperar. Talvez para você haja um amanhã. Um, dois, três ou dez milhões de amanhãs… Tanto tempo, que você passa a nadar nele, deixar rolar e enrolar-se nele, deixá-lo cair como moedas por entre os dedos. Tanto tempo, que você passa a disperdiçá-lo.

Mas, para alguns de nós, há apenas o hoje. E a verdade, afinal, é que você nunca sabe quando chegará sua vez.

E se? Talvez? Um dia…
Palavras simples com diferentes significados, mas quando juntas podem causar muitos estragos numa vida.
E se houver apenas o hoje? E se tudo o que você acreditava ser real, na verdade não passa de um monte de mentiras? E se você tiver apenas hoje para fazer tudo o que planejou fazer a vida toda? E se você não chamar aquele garoto(a) para sair, você terá oportunidade de faze-lo amanhã?

Talvez, segundo a definição do dicionário, é usado para indicar dúvida ou incerteza. TALVEZ, essa seja a palavra certa para definir o futuro, o nosso amanhã. Talvez você viva por muito tempo, talvez não. Talvez você encontre o amor da sua vida, talvez não. Talvez você ganhe na loteria, talvez não. Talvez você consiga, sei lá, realizar todas as suas fantasias sexuais, talvez não. Talvez você tenha acertado o caminho, talvez não. Talvez, você possa perdoar aquela pessoa que te magoou amanhã, talvez para um de vocês não haja um amanhã.

“Um dia” é uma expressão que também pode assustar, antigamente essa era uma palavra   constante em meu vocabulário, hoje sequer sei que ela existe. É comum você ouvir “um dia farei aquela viagem que tanto quero”, “um dia farei aquela tattoo”, “um dia terei coragem de dizer que o(a) amo”, “um dia isso vai mudar”, mas… e se esse dia nunca chegar? É fato concreto, para não ser mais redundante, que só temos o hoje. O ontem já foi e o amanhã é uma mera possibilidade, um talvez. Podemos nos arrepender do ontem, consertar no hoje, mas o amanhã é incerto, muito improvável.

Ainda nessa linha de raciocínio entramos no assunto literário do Elamundo de hoje, estou me referindo ao livro “Antes Que Eu Vá” da Lauren Oliver, publicado pela editora Intrínseca.

Este livro conta a história de Sam, uma garota que tem uma vida perfeita.
Prestes a se formar no colégio, ela tem amigas de verdade, é muito popular na escola e tem como namorado o garoto mais cobiçado e perfeito da Thomas Jefferson.
E quando ela menos espera, acontece algo injusto em sua vida perfeita, algo que, obviamente, não estava em seus planos. No retorno de uma festa na casa de Kent, seu antigo e talvez ex-amigo, ela e suas 3 melhores amigas sofrem um grave acidente de carro e é ai que as coisas ficam estranhas para Sam.
Após o acidente, todas as manhãs ela acorda no fatídico dia 12 de fevereiro, Dia do Cupido e o dia em que morreu.

Sam se vê presa em uma série de eventos que estão além de sua vontade e possibilidade de mudar, afinal, já aconteceram. Ela se estressa, fica triste, tenta concertar as coisas e começa a ver tudo sob outra ótica.

E, após tantas cabeçadas, percebe, enfim, que todo esse caos que virou a sua “quase vida” fizeram-na mudar a maneira de ver a vida e, consequentemente, suas prioridades também. Aquela Sam que existia antes do dia 12 de fevereiro não existe mais, agora ela tem que correr contra o tempo para aproveitar essa segunda chance, concertar as coisas para todos, para aqueles que ama, para aqueles que não sabiam da existência e para aquele que ela se descobriu apaixonada no meio dessa tempestade.
E no final, o que realmente vale a pena são as pequenas coisas, tenho certeza que você sabe do que estou falando.

A morte pode ser um tema muito interessante de se ler, é, como disse Steve Jobs, um agente de mudanças. Após ler este livro fiquei pensando naquela história, acho que você já ouviu isso de algum familiar ou no seu ciclo de amigos, que quando uma pessoa está prestes a morrer dá a impressão de que ela sabia ou sentia que isso ia acontecer.
Vocês já pararam pra pensar se não é isso que acontece quando chega a hora? Que vivemos esta segunda chance de Sam para aprender a lidar com a morte e fazer com que seja menos dolorosa para você e para aqueles que ficam?
Alguma vez na sua vida um abraço, um beijo, uma palavra ou uma atitude te disse que essa pessoa sabia que estava partindo?

A parte complicada de falar sobre a morte é que, quanto mais falamos mais perguntas sem respostas surgem e, cá entre nós, ninguém quer realmente morrer para saber. Portanto, vamos simplesmente viver a vida e aproveitar cada dia como se fosse o último porque um dia… vamos acertar.