A leveza de Carina Rissi

Confesso que já passei, há mais de uma década, dos meus 15 anos. Confesso que não acredito mais naquele amor juvenil onde o impossível se torna possível e mudança é apenas uma questão de querer. Confesso que já li tanto e tanta coisa – desde as boas até as ruins – que eu consigo prever os clichês de cada história.

A vida é hard e por isso acredito que, às vezes, devemos levá-la com mais suavidade, de um jeito mais brincalhão e não tão focado assim, afinal, um pouco de descontração não faz mal a ninguém e estimula a criatividade. Da mesma forma eu vejo a leitura, é lindo e super cult sair dizendo por aí que leu Shakespeare, Jane Austen, Emily Bronte, Proust ou Hemingway, mas também não tem nada de vergonhoso ler uma história mais leve, sem grandes dilemas, às vezes temos problemas demais na cabeça para nos preocupar (também) com os dilemas dos personagens.

Se você é menina, está na casa dos 20 e quer ler algo mais suave, a dica é: leia CARINA RISSI.

Carina Rissi é uma autora nacional pouco conhecida na própria terra, mas que fez um tremendo sucesso na Alemanha, onde entrou na lista dos mais vendidos. Seus títulos são românticos, claro. Tem heroínas fortes e determinadas, tem “mocinhos” que estão sempre dispostos a contrariar a mocinha, dilemas de amor, brigas e o tão sonhado “felizes para sempre”, ou seja, tem todos os ingredientes que um romance chick-lit precisa.

Li seus dois romances Procura-se um Marido e Perdida. Vou falar um pouquinho dos dois agora:

Procura-se um Marido conta a história de Alicia, neta de um grande empresário do ramo de cosméticos que é o pesadelo de todo pai ou avô, ela é completamente irresponsável, vive entrando e saindo de confusões acompanhada de toda a mídia que cerca o seu estilo de vida.
Mas tudo isso muda quando o seu querido avô repentinamente morre e, na intenção de criar algum juízo na cabeça da neta, acrescenta uma cláusula peculiar ao testamento. Ela só terá direito à sua herança depois que se casar!
Sim, retrógrado e conservador, mas lembre-se que tudo em um romance tem um porquê – assim como na vida, mas diferente dos livros muitos desses “porquê” não descobrimos as respostas.
E Alicia sendo Alicia procura a saída mais fácil anunciando em um jornal que está à procura de um marido de aluguel, e dentre os muito “errados” que aparecem ela encontra naquele que considera o mais errado de todos o caminho para a felicidade e talvez para o amor.
E como não poderia deixar de ser, este mocinho é P-E-R-F-E-I-T-O.

Outro romance que li da Carina foi Perdida e confesso que gostei muito mais desse pois trata de um assunto que eu acho interessantíssimo, a viagem no tempo.
Nesta história conhecemos a Sofia, garota batalhadora, determinada e completamente avessa ao amor, que acredita existir apenas em romances do século 19. Não preciso nem dizer que ela é fã de Jane Austen. E assim como muitas de nós, ela não sabe viver sem um celular. Até que um dia – bêbada – ela perde o celular e precisa comprar outro, na loja encontra uma vendedora que diz ter exatamente o que ela precisa, o que ela não sabe é que tem que voltar no tempo para encontrar aquilo que precisa mesmo não sabendo o que é – típico!
E é o que leva Sofia ao ano de 1830 e aos ares românticos da época com muitos quadros (não existia fotografia), vestidos rodados, bailes e cavalheiros de verdade. O mais interessante nesta história é o contraste que a personagem tem com as diferentes épocas, consideramos certas coisas tão banais que só nos damos conta da sua importância quando damos esse passinho para trás. Vale a pena ler.
Nem preciso dizer que a cordialidade do mocinho é F-A-N-T-Á-S-T-I-C-A.

livros_carina_rissi

Duas notícias boas:
1. ADAPTAÇÃO PARA O CINEMA: Uma notícia boa para os fãs é que em breve sairá no cinema a adaptação da história de Sofia – ainda não temos a escalação do elenco, mas é questão de tempo pois o roteiro já está pronto. A previsão de lançamento é para o ano que vem. Vamos aguardar.

2. LANÇAMENTO DO 2º VOLUME – ENCONTRADA: na Bienal do Livro de São Paulo deste ano será lançado o segundo volume da saga. O lançamento será no dia 30/08, às 13h no estande do Grupo Editora Record.

É isso, espero que tenham gostado da dica de leitura.

Anúncios

Cinquenta Tons de Cinza – o buraco é bem mais embaixo

Por Caroline Nishi

A decepção nada mais é que uma expectativa frustrada, acho que essa frase define o que eu sinto quando penso nesse livro.
A editora Intrínseca investiu num marketing pesado para divulgá-lo, ele é sucesso garantido em todo lugar que é lançado e a editora não economizou para garantir os direitos de publicação da obra, que custou U$$ 780 mil. Para cobrir estes gastos, a Intrínseca precisaria vender 170 mil exemplares e em três semanas o livro chegou a uma marca inédita no Brasil, em três semanas foram vendidos mais de 200 mil exemplares! No Reino Unido bateu recorde de venda na Amazon estabelecido por Harry Potter, ou seja, 50 tons vendeu em 4 meses o que HP levou 14 anos e essa febre parece longe de acabar, a Focus Featured comprou os direitos pela produção cinematográfica da obra pelo valor mínimo de U$$ 5 milhões, que também é outro recorde absurdo.

Mas depois desse marketing todo, desse boom de atenção que a obra recebeu fui convencida a comprar o livro, ainda não consegui terminá-lo, faltam poucas páginas – que estão se arrastando para acabar – e confesso que me decepcionei e muito. A autora explora um enredo que já foi explorado à exaustão pela Stephenie Meyer e por outros autores que vieram em seguida. Não se trata de história de vampiros que brilham, mas explora os mesmos arquétipos: menina insegura que não enxerga sua própria beleza e homem extremamente seguro de si (pelo menos aparentemente), lindo, perfeito com um corpo escultural e seu tipicamente cabelos da cor de bronze naturalmente bagunçados, com dinheiro e poder para realizar suas fantasias mais estapafúrdias, que se lembra de tudo que fala e gosta, um cara ciumento e dominador – no caso de Grey a aplicação da palavra dominador tem outro sentido.
A história também não muda, um cara intangível se envolve com uma garota comum e que no final acaba se apaixonado perdidamente por ela, até mesmo a psiquê dos personagens são semelhantes.
Sabe o que é mais irritante? Se você leu Crepúsculo sabe disso, mas a medida que a leitura avança dá a impressão de que você está lendo novamente a história de Edward e Bella, é a mesma ladainha, os mesmos personagens, os mesmos diálogos e pensamentos e as mesmas irritantes comparações.
O que muda na história é que Grey faz na centésima página o que Edward não foi capaz em 1500 páginas, TRANSAR!

Cinquenta tons deu destaque a um outro nicho no mercado editorial, a chamada literatura erótica, talvez este seja o motivo de tanta fumaça para pouco fogo, novidade com uma pitada de sacanagem. Cinquenta tons além de descrever as cenas de sexo, aborda também o masoquismo, tema ainda é considerado tabú em nossa sociedade, a relação dominador e submissa e o uso de acessórios na hora do prazer como chicotes, algemas e mordaças.
E, apesar de muitos estarem pensando “nossa, que tenso”, esse livro não tem nada de pesado eu esperava algo muito mais agressivo, Grey está a procura de sexo e realização dos seus prazeres mais secretos, mas como a história é narrada sob o ponto de vista de Anastasia tudo é “romantizado”, até mesmo quando Grey diz “quero te foder com força” o coração de Ana vibra descompassadamente apaixonado.

Tudo isso somado ao marketing investido pela editora aumentou o appeal sobre o livro. Não posso negar que a leitura seja interessante, mas não tem nada de complexo e que acrescente alguma coisa em sua vida, além de outras ideias de como usar uma gravata. Novamente, o texto é muito mais do mesmo, sem inovação, sem entusiasmo, o texto não é inteligente, os diálogos são muito clichês – não mais que os orgasmos de Ana – e os personagens pouco atraentes. Federico Moccia consegue fazer isso muito melhor com muito menos e com histórias voltadas para o público adolescente e não supostamente para mulheres adultas.
O sucesso desta série também pode significar outra coisa, os homens precisam usar mais a imaginação na hora do sexo, menos falso moralismo e mais satisfação dos seus verdadeiros prazeres, o que acontece entre 4 paredes deve ficar por lá.

Resumindo, 50 tons é estável e previsível. Para mim não valeu os R$ 39,90 que paguei, não acrescentou nem significou nada para mim, este é um daqueles livros que apenas li (acompanhei a massa e me dei mal) não me emocionei, não me identifiquei com a personagem, com a história e com o insulto à feminilidade e independência que as mulheres conquistaram, pois ao contrário do que muitos andam dizendo por aí, nem todas as mulheres desejam ser submissas, é sufocante pensar na ideia de deixar um cara dominar literalmente a sua vida. Quando surgiu o filme O Segredo de Brokeback Mountain ninguém saiu por aí dizendo que todo homem tem um lado homossexual dentro de si então, por favor, também não tirem conclusões precipitadas.

Vamos ver o que a sequência terá a nos oferecer. Quem sabe as coisas se tornam mais quentes, a história mais interessante e os personagens menos previsíveis. E se o livro é considerado erótico, nada mais justo do que ter mais cenas de sexo.

A Culpa é das Estrelas

Por Caroline Nishi

“Sempre que você lê um folheto, uma página da internet ou sei lá o que mais sobre o câncer, a depressão aparece na lista dos efeitos colaterais. Só que, na verdade, ela não é efeito colateral do câncer. É um efeito colateral de se estar morrendo.”

Hazel Grace tem 16 anos e é uma paciente terminal, embora seu tumor não tenha diminuído e seja considerada um milagre da ciência, o último capítulo da sua vida foi escrito no diagnóstico quando ainda era uma menina. Todos acham que Hazel é uma guerreira por lutar tão bravamente contra o câncer e nunca desistir, bom, pelo menos é isso o que vivem dizendo e ela não sabe se é para enganá-la ou se é um modo de elas camuflarem a sua triste realidade. Mas Hazel conhece um lado que elas não conhecem, elas não sabem como é viver sabendo que te resta pouco tempo, de ter a percepção de que você não vai ser aquele adulto que pensou que seria e viver tudo que pensou que viveria.

Hazel não tem uma vida normal, ela terminou os estudos em casa, não possui muitos amigos, vida social ou namorado e por causa do seu estado de espírito meio depressivo seu médico recomenda que ela frequente um grupo de apoio a crianças com câncer, o que ela faz de má vontade. O objetivo do grupo é compartilhar histórias, experiências, lágrimas e humor negro (esse último é um bônus de Hazel Grace), na maioria das vezes Hazel está presente apenas de corpo, esses são aqueles momentos em que é fácil desligar a mente e divagar por caminhos menos tortuosos da imaginação. Em um desses encontros ela conhece Augustus Waters, um cara bonitão, tão bonito que poderia ser o garoto mais popular da escola – muito provavelmente capitão do time de basquete, mas algo em sua essência o torna peculiar, foge do arquétipo de atleta mais popular da escola, ele possui um charme irresistível, um humor ácido e sarcástico que nem ele próprio escapa.

De um jeito inusitado como se fosse orquestrado pelas estrelas, Hazel Grace e Augustus possuem uma sintonia, uma química difícil de resistir, ambos possuem o mesmo tipo de humor irônico depreciativo e um estilo de diálogo muito sagaz. E com a mesma certeza de que o sol nasce a cada manhã eles se apaixonam, e com eles você vai rir, torcer, chorar, sofrer e no final valerá cada palavra lida, casa página virada, cada riso dado e lágrima derramada.

E com eles talvez você compreenda o valor de cada minuto, cada dia da sua vida, aprenda a dar valor ao que realmente importa, aprenda a amar verdadeiramente sem medo de se machucar, porque mesmo sabendo como será o fim você ainda poderá viver um pequeno, doce e surpreendente infinito.

Gosto de histórias como esta, elas são reais e sem garantias de finais felizes, a vida não é um conto de fadas e nunca será. Histórias como esta tiram as vendas dos nossos olhos, nos fazem enxergar o verdadeiro valor de se estar vivo, de cada suspiro, de amar sem medo, de rir de nós mesmos e dos outros e saber que infelizmente coisas ruins acontecem com pessoas boas, mas não precisamos ser vítima das circunstâncias, sem fatalismo ou sentimentalismo, precisamos apenas aprender a lidar com aquilo que nos foi dado e saiba aproveitar os pequenos infinitos que a vida pode proporcionar.

John Green foi fantástico, soube retratar a morte sem muito sentimentalismo, sem muito drama e de uma maneira muito leve e bem humorada. É mais ou menos o que o diretor Gus Van Sant fez no filme Inquietos (que indico). John Green demorou 10 anos para escrever este livro, ele estava esperando o momento certo para escrever a história certa e a inspiração veio através de Esther Earl, uma garotinha de 16 anos que de muitas formas se parece com Hazel Grace, com tumor nos pulmões e ligada a tubos de oxigênio para respirar, Esther encarava as dificuldades com muita doçura e bom humor, mas infelizmente a doença abreviou seus dias e em 2010 ela perdeu a luta contra o câncer. E desde então, todo dia 03 de agosto é comemorado o Esther Day, essa data não consta no calendário mas é uma homenagem de familiares e amigos para aquela garotinha que inspirou milhares de pessoas de tantas maneiras diferentes e tudo o que ela precisava era um pouco mais de tempo.

Certa vez perguntaram para John Green o significado do título do livro e é com a sua resposta que eu termino a resenha:
“Bem, na frase de Shakespeare, “estrelas” significam “destino”. No texto original, o nobre Cássio diz a Bruto: “A culpa, meu caro Bruto, não é de nossas estrelas / mas de nós mesmo, que consentimos em ser inferiores.” ou seja, não há nada de errado com o destino; o problema somos nós.
Bem, isso é válido quando estamos falando de Bruto e Cássio. Mas não quando estamos falando de outras pessoas. Muitas delas sofrem desnecessariamente, não porque fizeram algo de errado nem porque são más ou sei lá o que, mas porque dão azar. Na verdade, as estrelas têm culpa sim, e eu quis escrever um livro sobre como vivemos num mundo que não é justo, e sobre ser ou não possível viver uma vida plena e significativa mesmo que não se chegue a vivê-la num grande palco como Cássio e Bruto.”.

Dica de leitura: Um Homem de Sorte

Por Caroline Nishi

É certo que algumas coisas sempre aparecem para complementar outras e isso é constante na minha vida, principalmente quando se trata de livros e filmes. Eu tinha comprado este livro e meus amigos ficaram alvoroçados pra eu começar a ler, mas até então eu não estava muito no clima de ler um romance do Nicholas Sparks e tinha até começado a ler outro, mas eis que resolvo assistir o trailer do filme – que será lançado hoje! -, e me encantei pela história principalmente depois de descobrir que o protagonista é o Zac Efron. Grito histórico – Ahhhhhh!!!! -, eu sei que soa infantil e blá blá blá, mas eu vi esse menino crescer assistindo HSM e cresci junto (bom, nem tanto assim vai, eu já era velha na época), e eu não botava muita fé no talento dele como ator até assistir Vida e Morte de Charlie St. Cloud, se ainda não assistiu você DEVE assistir.

Enfim, estamos falando de Nicholas Sparks, um dos autores mais idolatrados da literatura atual e seus livros sempre são sinônimos de duas coisas: 1. romances realmente bons e 2. você com certeza vai se emocionar em alguma parte da leitura, o que significa chorar horrores (parafraseando meu amigo Evandro). Seus temas giram em torno de valores e sentimentos tão ausentes das nossas vidas hoje que qualquer menção a um deles faz sua leitura muito mais rica e ao mesmo tempo triste ao pensar na utopia de viver algo semelhante. Se você assistiu/leu Um Amor pra Recordar, A Última Música, Querido John, Diário de uma Paixão sabe do que estou falando.

Nessa história, ele nos apresenta Logan Thibault, um cara que viveu uma vida regrada e sempre conseguiu o que queria, ele sempre tinha um plano. Ele quis ser bem-sucedido na escola e conseguiu, ele queria praticar todos os esportes e cresceu praticando quase todos. Quis tocar violino e aprendeu. Depois de se formar na faculdade, decidiu que queria entrar para os Fuzileiros Navais, assim como seu pai, e entrou.

Com tudo o que aconteceu após os atentados do dia 11 de setembro, não fica difícil imaginar por quais caminhos Logan percorreu, Kuwaitt e Iraque foram alguns de seus destinos, e por mais triste e traumático que um cenário de guerra pode ser, não foi ela que mudou o rumo da sua vida, o divisor de águas foi uma foto que ele encontrou durante suas corridas matinais no deserto e a partir de então o inesperado, o impensado e o não planejado passa a acontecer na vida dele.

A foto é um pouco antiga de uma garota de uns 20 poucos anos de idade. Ela vestia uma camiseta estampada com a frase garota de sorte, com uma pequena mensagem escrita no verso “Se cuida! E.”. Num primeiro momento, Logan pensou que alguém tivesse perdido, então afixou a foto no quadro de avisos do centro de informática na esperança de o dono, mais cedo ou mais tarde, passar por lá. Após algumas semanas a foto permanecia no mural e num ímpeto, que ele jamais soube explicar, Logan pega a foto e guarda no bolso e desde então ela o acompanha aonde quer que vá.

Após uma partida de poker, ele explica a seu amigo Victor como encontrou a foto e destaca a frase na camiseta da garota. Victor, muito supersticioso, diz a Logan que aquele é seu amuleto da sorte, foi encontrado no momento mais poderoso do dia, o amanhecer, e lhe diz para jamais perdê-la pois sua perda poderia significar o efeito contrário e azar não é um luxo que se pode ter quando se está no meio da guerra. Logan, mesmo não acreditando muito nessa história de amuleto da sorte, carregar a foto consigo onde quer que vá e inexplicavelmente se livra de várias situações de perigo e escapa da morte várias ocasiões e com isso, acabam surgindo boatos de que ele tem pacto com o demônio. Depois de alguns anos de serviço eles resolvem pedir licença, ambos haviam feito a parte que lhes cabiam, Victor queria se casar e Logan já estava cansado da guerra.

Logan foi padrinho de casamento de Victor, a amizade resiste à guerra e um dia eles resolvem sair para pescar somente os 2 para relembrar os velhos tempos. Durante a pescaria Victor volta a tocar no assunto da foto, diz que Logan deveria ir atrás daquela mulher, pois ele acha que a história deles ainda não acabou, falta um equilíbrio que só será encontrado quando Logan a conhecer. Ele ainda permanece resistente à ideia de ir atrás dela e tem medo de não conseguir encontrá-la, mas Victor está tão convicto de que ele vai conseguir encontrá-la que, após acontecimentos alheios à sua vontade mas que reafirmam a teoria do amigo, Logan resolve arriscar e parte numa jornada em busca da misteriosa E.

Ele faz sua mochila e bota o pé na estrada com seu fiel companheiro Zeus. Logan atravessa o país a pé e quando chega à cidade de Hampton tem uma estranha certeza de que aquele é o seu lugar. Não demora muito para ele descobrir que o nome da mulher da foto é Elizabeth, ex-mulher de um policial conhecido na cidade e que administra um canil junto com Nana, sua avó. Na manhã seguinte ele vai procurá-la e descobre que está precisando de um ajudante para o canil e essa lhe parece a maneira ideal de agradecer. Mas Logan não estava preparado para o encontro com Elizabeth, ela era apenas um amuleto, um sonho utópico e vê-la assim na sua frente foi no mínimo chocante, ao fitá-la pela primeira vez em 5 anos, Logan constata que a fotografia não fez a mínima justiça à sua beleza. Ele se sente naturalmente atraído por ela, Elizabeth, por sua vez, não sabe nada sobre este estranho que está se candidatando a vaga de ajudante no canil, então se mantém arredia.

A vida de Elizabeth não é nada fácil, ela é professora, nas horas livres ajuda Nana (sua mãe) no canil, precisa cuidar de Ben, seu filho de 12 anos e além de tudo ter paciência e tempo para lidar com o imaturo ex-marido, o policial Keith Clayton. Inexplicavelmente, sua vida amorosa é quase nula, toda vez que conhece um cara interessante ele desaparece, para de ligar, não responde suas ligações e nunca mais a procura e numa cidade pequena como Hampton você não tem muitas opções. Quando Logan aparece em sua casa é quase impossível não notar sua beleza rústica e encantadora, ela percebe que ele não é um cara que gosta de se mostrar, ele é introspectivo e muito reservado, além de ser muito educado, e o fato de ele ter saído do Colorado e atravessado praticamente todo o país a pé para chegar em Hampton e trabalhar como ajudante num canil é uma ideia que ela não consegue aceitar.

O relacionamento dos dois não começa muito bem, primeiro porque Logan decide não contar o que verdadeiramente o trouxe à Hampton, segundo porque, além de Elizabeth achar que Logan é louco por atravessar o país a pé e não acreditar 100% nos seus motivos, ele é ex-fuzileiro naval e isso ainda lhe traz lembranças muito tristes. Mas aos poucos e com a ajuda de Nana, eles vão se conhecendo melhor, quebrando algumas barreiras, Logan deixa de ser tão reservado e Elizabeth passa a apreciar mais sua companhia e, assim como a noite vem depois do dia, é inevitável que eles se apaixonem.

Este, com certeza, é o melhor romance que li do Nicholas Sparks, mais maduro, consistente e real, sem aquele sonho utópico de que o amor muda as pessoas, sem aqueles clichês tão comuns num romance. Neste livro ele fala de um amor que não vem pronto, não é a primeira vista tampouco efêmero, é um amor feito para durar a vida inteira, que parece predestinado, natural, aquele que acontece aos poucos, sem pressa, que é cultivado dia após dia, não com poemas e declarações shakesperianas de amor, mas numa simples troca de olhares ou em uma hora de conversa, um se torna a extensão do outro, este amor é um daqueles motivos de valer a pena buscar algum sentido na vida.

E mais uma vez falo de destino, o que é destino para você?

Você acredita que tudo o que acontece tem um motivo, uma razão de ser, indepente de ser sua escolha ou não, ou você acredita que destino é a consequência de certas escolhas que ecoam pelo resto da sua vida?

Eu ainda não sei se acredito em destino, sou uma pessoa muito mais científica que de fé, preciso ver pra crer, saber como funciona, por que é assim, por que é assado, cutucar e ver se é real. Mas, como eu disse, mais uma vez estou aqui falando de destino e o grande E SE? da vida.

E SE o cara não tivesse perdido a foto, ele estaria vivo? E SE Logan não tivesse encontrado a foto, ele estaria vivo para contar a história? E SE ele não tivesse ido atrás de Elizabeth, tudo isso teria acontecido?

Logan, assim como nós, estava à espera de um pequeno sinal da vida, aquele que te diz “esse não é o seu caminho, vá por aquele outro” ou aquele momento em que tudo o que você havia planejado rui diante dos seus olhos, para ultrapassa a linha tênue que o separava do destino e suas escolhas, pois quando suas escolhas já não fazem mais sentido, nada mais sensato do que parar de planejar e seguir o curso da vida, onde quer que ele te leve, afinal, o seu destino por ser surpreendente.

Bom, agora tenho que ir, vou assistir Um Homem de Sorte e não posso chegar atrasada, depois eu conto como foi.

Dica de leitura: A Maldição do Tigre

Por Caroline Nishi

Conta a lenda que há muito tempo atrás na India, existia um príncipe chamado Dhiren, ele foi criado com a melhor educação e treinamento militar que seus pais poderiam proporcionar. Dhiren tinha um charme natural, era um líder nato, transmitia segurança e despertava nas pessoas a vontade de querer segui-lo onde quer que fosse, além de ser muito bonito, claro.

Ele tinha um irmão mais novo chamado Kishan, ele era igualmente bonito e charmoso e amava Dhiren, mas vivia a sua sombra e isso o deixava com ciúmes. Apesar de amar o irmão, Kishan foi traído por seu coração, ele se apaixonou por Yesabai, noiva de Dihen e, desesperado para ter aquela linda mulher em seus braços, Kishan procurou Lokesh, pai de Yesabai e rei de terras vizinhas, para propor-lhe outro arranjo, em vez de Dhiren, Yesabai se casaria com ele. No entanto, o acordo foi quebrado e o ambicioso Lokesh desejava algo além da troca de noivos, uma coisa que somente os irmãos possuíam e para consegui-la estava disposto a matar quem cruzasse seu caminho.

De acordo com essa lenda, uma série de fatos culminaram em seu catastrófico fim. Kishan, tentando proteger o irmão que estava prestes a ser morto, saltou sobre Lokesh a fim de impedir o golpe fatal, ao mesmo tempo que Yesabai pulou sobre o pai para também impedir tal crime. Lokesh, por sua vez, ensandecido com seu propósito acabou derrubando Yesabai que, com a queda violenta sofreu grave ferimento e morreu nos braços de Kishan, que não pode evitar o assassinato do irmão.

Essa é uma historia que aconteceu há muito tempo atrás e virou lenda, e agora a sua verdade está prestes a ser revelada.

Trezentos anos se passam e vamos para Oregon, conhecer a amável e sarcástica Kelsey, ela tem 18 anos e está a procura de um emprego de verão. E apesar de ser uma jovem alegre com um futuro promissor, ela carrega consigo um lado solitário alimentado pela recente perda de seus pais e com isso, ela criou uma barreira em seu coração impedindo-a de amar verdadeiramente as pessoas com medo de um dia elas partirem também, nem seus pais adotivos conseguiram quebrar essa barreira, quem dirá outras pessoas.

Kelsey está a procura de um emprego, há uma vaga de assistente num circo que está na cidade e ela pensa “por que não?”, a coisa mais estranha que terá que fazer será ajudar a cuidar de um tigre e rezar para não virar seu almoço, ela decide aceitar, trabalhará por duas semanas e como o trabalho no circo começa muito cedo e termina muito tarde terá que dormir por lá mesmo. Uma das vantagens do seu cargo é que ela pode assistir o espetáculo e logo na primeira noite ela conhece o tigre Ren, ele é fantástico, todo branco com aqueles lindos olhos azuis que parecem dois pedaços do céu, mas apesar de toda a sua imponência Kelsey nota uma certa melancolia em seus olhos. Ela fica fascinada por ele e mal consegue esperar para começar o seu trabalho como assistente do Sr. Davis, o domador de animais.
Na manhã seguinte ela começa trabalhar com ele e conhece Ren, a identificação acontecem logo de cara e ela passa a visitá-lo todas as noites para conversar, ler Romeo e Julieta (claro!) e poesias. Ren parece gostar de sua companhia, presta atenção em suas histórias e fica atento a cada movimento seu, uma estranha relação nasce entre esses seres tão diferentes e semelhantes ao mesmo tempo.
Um dia durante o espetáculo acontece algo estranho, Ren entra no picadeiro, mas se distrai, procura algo na platéia e congela quando finalmente encontra Kelsey. Ela fica paralisada com o coração disparado e uma estranha sensação no estômago, tem certeza de que está ficando louca, aquele tigre não pode ter feito aquilo que acabou de fazer. Alguns dias depois surge um homem misterioso chamado Sr. Kadam, ele representa um homem muito rico que está interessado em levar o tigre de volta à sua terra natal, a Índia. Sua intenção é integrá-lo novamente com a natureza e para esta tarefa precisa da ajuda de Kelsey, ele propõe que ela acompanhe Ren garantido que sua viagem seja tranquila, que seja bem cuidado e alimentado levando em consideração a sua experiência no trato do felino.

Contudo, Kelsey não imaginava que essa viagem mudaria pra sempre a sua vida. Assim que chega a Índia, sem saber falar uma única palavra em hindu, ela é abandonada a própria sorte não tendo outra alternativa a não ser confiar nos instintos e senso de direção de Ren que a leva até um xamã para descobrir se ela é a protegida da deusa Durga, a garota predestinada a quebrar a maldição que o aprisiona há 300 anos na forma de um tigre.
E, a partir daí, tem início sua jornada mística rumo às histórias e os mais antigos mitos indianos repletos de deuses, maldições e muitos perigos. No entanto, os perigos mais temido por Kells não são estes que atentam contra a sua vida, são aqueles que assombram seu coração. Nessa imersão na cultura indiana, Kells descobre que seu lindo tigre branco na verdade é Dihren, o príncipe indiano da história que o Sr. Kadam lhe contou, que viveu os últimos 300 anos como um tigre e agora tem a oportunidade de quebrar a maldição… e roubar seu coração. E agora ela tem que aprender a lidar com essa confusão que o Ren-homem está fazendo com seus sentimentos, eles estão cada vez mais próximos, envolvidos nessa amizade que aos poucos se transforma em amor e todas as turbulências e desafios que ambos têm que enfrentar, Kells com seu amigo-tigre e agora possível namorado-príncipe e Ren com a mudança brusca de tigre para homem e todas as sensações que a proximidade com Kells está despertando no seu lado humano.

Uma história de amor arrebatadora como qualquer outra, mas que, diferente das outras, te mostra outra face do amor, aquele amor ideal, com o qual todos desejamos ter e oferecer, mas dificilmente conseguimos, aquele amor que não te aprisiona, te liberta, que não subtrai, soma, aquele amor que não te faz pequeno, te transborda e que te faz livre para escolher seu prórpio caminho. Este é um livro que você não se importa em ler duas ou três vezes seguidas, pois sua riqueza é tão grande que a cada leitura um detalhe salta aos seus olhos, é mais ou menos como os mistérios da Índia, que vão se revelando aos poucos diante de seus olhos. Vale muito a pena ler e mergulhar nessa cultura tão pouco explorada pela literatura, vale a pena sair desse marasmo que a cultura ocidental se tornou onde só se tem mais do mesmo.

A Maldição do Tigre é só o início da saga de Ren e Kells, a editora Arqueiro, detentora dos direitos de publicação no Brasil, tem previsão de lançamento do próximo livro, com o título provisório de O Resgate do Tigre, para maio, então para quem curtiu esse livro tanto quanto eu só nos resta aguardar.

Dica de leitura: Amanhã Você Vai Entender

Por Caroline Nishi

E se viagem no tempo fosse possível? Você já parou para pensar na possibilidade de mudar algo em seu passado que pode alterar todo seu futuro?

Miranda tem 12 anos e possui um fascínio especial por um livro de Madeleine L’Engle, que fala sobre viagem no tempo. Ela levava uma vida normal até o dia que seu amigo, Sal, apanhou de um garoto na rua e a tem evitado desde então. Mas este é só o começo das peculiaridades que surgirão em sua vida, além de não ter mais o seu melhor amigo por perto, a chave extra do seu apartamento some do esconderijo, a possibilidade de alguém ter invadido sua casa é grande e ela encontra um bilhete enigmático que não sabe de onde veio:

“Estou indo salvar a vida do seu amigo e a minha.
Peço dois favores.
Primeiro, você precisa me escrever uma carta.”

Outros bilhetes chegam à Miranda e ela fica preocupada, pois só uma pessoa muito próxima teria acesso a informações tão íntimas. E a cada bilhete que encontra está a prova irrefutável de que ela é a única apta a ajudar aquele desconhecido a realizar sua missão e evitar uma tragédia quase anunciada.

Uma história fantástica ambientada na real Nova York te apresenta de maneira simples e genial a Teoria da Viagem no Tempo, sem toda aquela porcaria de linguagem científica que você não entende “bulhufas”, te explica como é possível essa viagem acontecer e como funciona o mecanismo de tempo/momento/ na nossa vida ou em nossas muitas realidades.

Em 2010 Amanhã você vai entender ganhou a Medalha Newbery, entregue pela American Library Association às mais importantes contribuições norte-americanas à literatura jovem. Elogiado pelo The New York Times, The Wall Street Journal e The Washington Post este é um livro que não pode faltar na biblioteca da sua filha nerd.

Dica de Leitura: On the Road (Pé na Estrada)

Uma resenha curta do “On the road”:

Responsável por uma das maiores revoluções culturais do século XX, On the Road – pé na estrada volta às livrarias brasileiras na bela tradução de Eduardo Bueno – inteiramente revista para esta edição – mantendo intacta sua aura de transgressão, lirismo e loucura.

Como o gemido lancinante e dolorido de Uivo, de Allen Ginsberg, o brado irreverente e drogado de Almoço nu, de William Burroughs, ou a lírica emocionada e emocionante de Lawrence Ferlinghetti, On the Road escancarou ao mundo o lado sombrio do sonho americano. A partir da trip de dois jovens – Sal Paradise e Dean Moriarty –, de Paterson, New Jersey, até a costa oeste dos Estados Unidos, atravessando literalmente o país inteiro a partir da lendária Rota 66, Jack Kerouac inaugura uma nova forma de narrar.

 A obra-prima de Kerouac foi escrita fundindo ação, emoção, sonho, reflexão e ambiente. Nesta nova literatura, o autor procurou captar a sonoridade das ruas, das planícies e das estradas americanas para criar um livro que transformaria milhares de cabeças, influenciando definitivamente todos os movimentos de vanguarda, do be bop ao rock, o pop, os hippies, o movimento punk e tudo o mais que sacudiu a arte e o comportamento da juventude na segunda metade do século XX.

Mais: 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Allen_Ginsberg

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jack_Kerouac

http://pt.wikipedia.org/wiki/William_burroughs

 



Fonte: http://lpm.com.br/site/default.asp?Template=../livros/layout_produto.asp&CategoriaID=152905&ID=926371