A leveza de Carina Rissi

Confesso que já passei, há mais de uma década, dos meus 15 anos. Confesso que não acredito mais naquele amor juvenil onde o impossível se torna possível e mudança é apenas uma questão de querer. Confesso que já li tanto e tanta coisa – desde as boas até as ruins – que eu consigo prever os clichês de cada história.

A vida é hard e por isso acredito que, às vezes, devemos levá-la com mais suavidade, de um jeito mais brincalhão e não tão focado assim, afinal, um pouco de descontração não faz mal a ninguém e estimula a criatividade. Da mesma forma eu vejo a leitura, é lindo e super cult sair dizendo por aí que leu Shakespeare, Jane Austen, Emily Bronte, Proust ou Hemingway, mas também não tem nada de vergonhoso ler uma história mais leve, sem grandes dilemas, às vezes temos problemas demais na cabeça para nos preocupar (também) com os dilemas dos personagens.

Se você é menina, está na casa dos 20 e quer ler algo mais suave, a dica é: leia CARINA RISSI.

Carina Rissi é uma autora nacional pouco conhecida na própria terra, mas que fez um tremendo sucesso na Alemanha, onde entrou na lista dos mais vendidos. Seus títulos são românticos, claro. Tem heroínas fortes e determinadas, tem “mocinhos” que estão sempre dispostos a contrariar a mocinha, dilemas de amor, brigas e o tão sonhado “felizes para sempre”, ou seja, tem todos os ingredientes que um romance chick-lit precisa.

Li seus dois romances Procura-se um Marido e Perdida. Vou falar um pouquinho dos dois agora:

Procura-se um Marido conta a história de Alicia, neta de um grande empresário do ramo de cosméticos que é o pesadelo de todo pai ou avô, ela é completamente irresponsável, vive entrando e saindo de confusões acompanhada de toda a mídia que cerca o seu estilo de vida.
Mas tudo isso muda quando o seu querido avô repentinamente morre e, na intenção de criar algum juízo na cabeça da neta, acrescenta uma cláusula peculiar ao testamento. Ela só terá direito à sua herança depois que se casar!
Sim, retrógrado e conservador, mas lembre-se que tudo em um romance tem um porquê – assim como na vida, mas diferente dos livros muitos desses “porquê” não descobrimos as respostas.
E Alicia sendo Alicia procura a saída mais fácil anunciando em um jornal que está à procura de um marido de aluguel, e dentre os muito “errados” que aparecem ela encontra naquele que considera o mais errado de todos o caminho para a felicidade e talvez para o amor.
E como não poderia deixar de ser, este mocinho é P-E-R-F-E-I-T-O.

Outro romance que li da Carina foi Perdida e confesso que gostei muito mais desse pois trata de um assunto que eu acho interessantíssimo, a viagem no tempo.
Nesta história conhecemos a Sofia, garota batalhadora, determinada e completamente avessa ao amor, que acredita existir apenas em romances do século 19. Não preciso nem dizer que ela é fã de Jane Austen. E assim como muitas de nós, ela não sabe viver sem um celular. Até que um dia – bêbada – ela perde o celular e precisa comprar outro, na loja encontra uma vendedora que diz ter exatamente o que ela precisa, o que ela não sabe é que tem que voltar no tempo para encontrar aquilo que precisa mesmo não sabendo o que é – típico!
E é o que leva Sofia ao ano de 1830 e aos ares românticos da época com muitos quadros (não existia fotografia), vestidos rodados, bailes e cavalheiros de verdade. O mais interessante nesta história é o contraste que a personagem tem com as diferentes épocas, consideramos certas coisas tão banais que só nos damos conta da sua importância quando damos esse passinho para trás. Vale a pena ler.
Nem preciso dizer que a cordialidade do mocinho é F-A-N-T-Á-S-T-I-C-A.

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Duas notícias boas:
1. ADAPTAÇÃO PARA O CINEMA: Uma notícia boa para os fãs é que em breve sairá no cinema a adaptação da história de Sofia – ainda não temos a escalação do elenco, mas é questão de tempo pois o roteiro já está pronto. A previsão de lançamento é para o ano que vem. Vamos aguardar.

2. LANÇAMENTO DO 2º VOLUME – ENCONTRADA: na Bienal do Livro de São Paulo deste ano será lançado o segundo volume da saga. O lançamento será no dia 30/08, às 13h no estande do Grupo Editora Record.

É isso, espero que tenham gostado da dica de leitura.

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Os delírios de consumo da Forever 21

A inauguração da Forever 21 aconteceu já faz algum tempo e ainda é possível encontrar filas inacreditáveis para entrar na loja. Reconheço a minha ignorância ao dizer que não conhecia a loja e tampouco a sua proposta de preços mais acessíveis.

Se antes eu achava doentia a ideia de ver filas enormes para comprar aparelhos eletrônicos, eu certamente não estava preparada para a Forever 21.

No final de semana de inauguração a loja levou mais de 3 mil pessoas ao shopping Morumbi. Filas intermináveis se formaram para entrar na loja – leia atentamente, filas enormes para ENTRAR na loja, além da fila que você tinha que enfrentar para pagar sua compra. No primeiro sábado, contam as nossas fontes, que a loja baixou as portas às 18h porque se eles continuassem abertos não saberiam a hora que conseguiriam fechar, neste dia a última compra finalizada foi às 3h da manhã!
Insano, doentio e digno de fazer parte da série Os Delírios de Consumo da Beck Bloom, da Sophie Kinsella.
Esse é o cenário que se via em frente a loja, essa foto foi tirada por uma leitora do Elamundo que encontrou esta fila na frente da Forever 21. E ai, você encarou? Ela acabou desistindo.

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O barato agora é cool
Acho incrivelmente fascinante essas guinadas de conceito que as pessoas dão de tempos em tempos, se antes era cool você vestir roupas da marca x que eram carrérimas na época e só “pati” e “boy” usavam, hoje as mesmas pessoas que consomem essas marcas são as mesmas que enfrentam horas e horas de fila para entrar na Forever 21. Que, ironicamente, são as mesmas pessoas que torcem o nariz para roupas compradas nas lojas Marisa, C&A e Renner são aquelas que pagam (sei lá) R$ 10,00 numa blusinha na F21.

A que conclusão podemos chegar sobre isso?
É cool pagar barato numa peça de vestuário desde que a marca seja estrangeira. A GAP, por exemplo, é vendida em lojas de departamento nos USA (confirmar informação) similares as lojas da C&A aqui, é uma marca barata e acessível. No Brasil ela ganhou status de roupa de marca, virou uniforme de garotinhos de faculdade, assim como a Hollister, Abercrombie e a Aeropostale.

Brasil e as taxas e impostos abusivos
Isso pode até virar uma série literária de aventuras fantásticas porque eles só podem usar mágica para fazer cálculos, só pode. Mas pensando no ponto de vista mercadológico, a Forever 21 não é mais uma varejista de vestuário no Brasil, ela pode ser uma ameaça ao sistema atual de comércio. Muitas varejistas estrangeiras tentaram entrar no mercado brasileiro e não conseguiram, pelo menos não da maneira que esperavam. Mas os preços baixos da F21 pode ser uma grande ameaça para as grandes redes de vestuário.

Diferente de outras marcas que entraram recentemente no país como a Gap e Topshop, os preços da Forever 21 no Brasil estão, em reais, mais próximos dos valores praticados no exterior. Segundo levantamento do Itaú BBA, a rede tem os melhores preços em diversas categorias. Todos sabemos o motivo de os preços serem tão caros por aqui, o excesso de impostos e burocracia colocou o Brasil de novo na liderança no ranking de preços mais altos em comparação a outros países. O Índice Zara aponta que de 22 dos 87 países em que a grife está presente, o Brasil é o lugar onde os produtos da marca são mais caros (em dólares).
O relatório fez um comparativo com diversos itens, um vestido que custa US$ 79 nos USA e US$ 55 na Espanha – onde fica a matriz da marca – no Brasil chega ao valor de US$ 171,60. Os produtos aqui são 49,9% mais caros que nos USA.

O jeito Forever 21 de ser
É engraçado como o posicionamento da marca vai contra o que sua classe consumidora costuma prezar numa marca. A F21 não vende glamour, status ou “conceitos phynos”, seu único objetivo é vender. A estratégia da empresa é cortar gastos desnecessários, executivos não viajam em aviões de primeira classe e eles não contratam super celebridades para as suas campanhas.
Analistas afirmam que a única forma de garantir tamanha competitividade é a redução da margem de lucro. Ainda sugerem a possibilidade de a empresa ter oferecido preços mais baixos para ganhar mercado e depois subi-los na surdina. Do Won Ghang, fundador da marca, foi categórico ao afirmar que não “o compromisso da marca é manter o preço sempre acessível, faz parte da identidade da Forever 21”.

Agora estão dizendo que a loja ficará fechada por um tempo porque venderam todo o estoque. A conclusão a que chegamos sobre todo esse “furdunço” é que a Forever 21 chegou em grande estilo, causou furor, filas e muita expectativa. Um dia, quem sabe, nós do Elamundo consigamos visitar a loja e comprovar que ela é realmente digna de todo esse alvoroço até lá preferimos viver a nossa vida, afinal, moda é que nem dinheiro precisamos dizer quem é dono de quem, não somos vítimas da moda, aprendemos usa-la ao nosso favor.

Fontes:
http://www.valor.com.br/empresas/3482218/precos-baixos-da-forever-21-podem-ameacar-varejistas-brasileiras
http://veja.abril.com.br/noticia/economia/forever-21-chega-ao-brasil-com-roupas-de-fato-baratas
http://m.estadao.com.br/noticias/economia-geral,brasil-tem-roupas-mais-caras-do-mundo-aponta-indice-zara,181243,0.htm

Quem inventou o amor?

Por Caroline Nishi

“Quem inventou o amor? Me explica por favor…” assim cantou Renato Russo, grande músico e sábio poeta. Mas antes de perguntar quem o inventou vamos questionar, o que é o amor?
Segundo o dicionário, amor é um sentimento que induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição ou atração, grande afeição ou afinidade forte, é um sentimento intenso de atração entre duas pessoas. Mas o significado de uma palavra no dicionário e a sua aplicação na vida real são coisas distintas e assim como tudo o que aprendemos na vida, nem toda base teórica pode ser colocada em prática, principalmente quando lidamos com um fator tão mudano e único como o ser humano.

O amor pode ser facilmente confundido com outros sentimentos como posse, obsessão e dependência afetiva, é impressionante nossa capacidade de confundir sentimentos tão mesquinhos com algo tão belo como – deveria ser – o amor. Amamos pelas razões erradas e consequentemente sofremos por nossa ignorância. É comum ouvir pessoas dizendo que sofrem por amor, mas que amor é esse que faz você sofrer, chorar, que te faz pequeno e te prende com correntes?

Que tipo de amor é esse que te faz inseguro mesmo você sabendo exatamente quem é e onde quer chegar?

Amar não é sofrer, amar é amar, é querer a felicidade do ser amado, sendo ele o único que não pode ser prejudicado. É estranho ouvir pessoas dizendo que matou por amor porque isso soa mais como egoísmo do que qualquer outra coisa, é bizarro e medonho as pessoas ainda confundirem dois sentimentos tão opostos.

Quando se mata não é por amor é por egoísmo, quando se prende não é por amor é por medo de que a vida aconteça, quando se sofre constata-se que aquilo que sentia não era realmente amor, pois o amor te faz renascer e crescer. Quando se ama se dá asas nunca as corta, você regozija-se dele.

Certa vez, li o fragmento de um texto de Antoine de Saint-Exúpery que dizia o seguinte:
“Não confundas o amor com o delírio de posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente, à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é contrário ao amor, é que faz sofrer. […]
Eu sei reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é aquele que não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca.”

Espera-se muito do amor, cria-se muitas expectativas quando na verdade o que precisamos é refletir se é isso mesmo que sentimos. Esse amor que você dá é aquele que você quer receber?

Colocamos o amor num pedestal tão alto que está difícil alcançá-lo, um sentimento tão puro e simples foi transformado em algo inalcançável, um conto de fadas, o amor só é amor se é perfeito, se tem rosas vermelhas, músicas românticas, jantares a luz de velas e muito romance shakesperiano. Me desculpe se acabei com a sua ilusão, mas o amor não pode ser perfeito porque ele habita pessoas imperfeitas, certa vez escrevi que somos pessoas imperfeitas em busca de pessoas perfeitas, seres completos buscando metades que não existem e continuo a persistir neste raciocínio. Tornou-se algo tangível, mede-se o amor pelos valores dos presentes que se ganha e não pelos beijos de tirar o fôlego, mede-se pelos restaurantes que frequentam e não pelas carícias trocadas embaixo do cobertor num dia frio.

Espero que não demore muito para percebermos que o amor reside nos gestos mais simples da pessoa amada e, ironicamente, termino este artigo com um poema de William Shakespeare:

“De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.”

Será que ele está afim de você?

Por Caroline Nishi

Pergunta difícil de ser respondida, mas que ronda o universo feminino desde os primórdios dos tempos. Se a amizade entre homens e mulheres é um comportamento recente, esta pergunta talvez seja a mais antiga que fazemos “será que ele está afim?”.

O Elamundo me convocou para esta tarefa árdua. Os homens dizem que as mulheres são difíceis de compreender, mas eles dizem isso porque nunca pararam para analisar o próprio comportamento, quer algo mais contraditório que uma mulher, bom… analise um homem e você terá.

Este tema foi inspirado no filme “Ele Não Está Tão Afim de Você”, típica comédia romântica hollywoodiana que nos faz acreditar em histórias que raramente acontecem na vida real. Este filme ressalta o nosso lado mais patético e ridículo, quando estamos apaixonadas vemos sinais (errados) em tudo.

Afinal, como posso saber que ele está afim de mim? Quais são os sinais?

Como de costume, eu fiz uma pesquisa extensa, busquei textos, matérias de revista e estudos, e tudo que encontrei não diz muita coisa, não satisfaz minha necessidade de informação, são incompletos e deixam a desejar. Com a intenção de levar um artigo com conteúdo significativo para o Elamundo, busquei informações extras com os meus amigos e amigas para tornar o tema e a discussão um pouco mais verossímeis.

Certa vez alguém me disse “você sabe quando um cara está afim, você simplesmente nota”, está bem, podemos até notar quando o cara está afim, mas como saber quando ele está realmente afim e quando os sinais não são frutos da sua imaginação? Uma coisa é você notar que um cara que você não conhece (ou não gosta) está afim de você, outra bem diferente é você interpretar corretamente estes sinais numa pessoa que você também está muito afim.

No jogo da sedução nem tudo se diz com palavras, muitas vezes o corpo fala por você, se um olhar pode dizer muita coisa o seu corpo pode dizer muito mais. Existem estudos e vários livros publicados sobre o assunto, o melhor de todos (na minha opinião) é Desvendando os Segredos da Linguagem Corporal, de Allan e Barbara Pease. Neste livro, os pesquisadores observaram que quando se trata de expressar sentimentos o subconsciente mostra o que o consciente tenta esconder e os sinais são muitos. Portanto, meninas, vamos falar menos e observar mais.

A linguagem corporal ao contrário da linguagem falada não pode ser disfarçada ou mascarada, isso por quê é o subconsciente que opera esta área, é estranho pensar desse modo, eu sei, é como se você fosse duas pessoas e essa outra pessoa fosse um irmão mais novo que está ao seu lado sempre disposto a te dedurar, gritando “mentiraaa, ra ra ra!” com o dedo indicador apontado para o seu rosto.

De acordo com este livro, nós mulheres somos muito mais perceptivas que os homens, claro que não havia necessidade de estudos científicos para chegar a essa conclusão, mas é sempre bom termos um embasamento seguro para não dizerem por ai que somos loucas, certo?!
E na mesma proporção que somos mais perceptivas a estes sinais, nós também os emitimos muito mais que os homens. Mesmo sem querer ou perceber somos um livro aberto repleto de sinais prontos para serem interpretados.

Homens e mulheres demonstram de maneiras diferentes quando estão afim de uma pessoa, mas em alguns aspectos somos relativamente iguais como quando encontramos o ser desejado, quase que instantaneamente nosso tônus muscular aumenta, o peito projeta-se para frente, o estômago se encolhe automaticamente e endireitamos nossa postura. O corpo fica ereto e a pessoa parece ter rejuvenescido – essa é a famosa postura peito de pombo, risos.

Outro aspecto interessante a ser destacado é a direção do corpo quando se está conversando com alguém, e isso não se encaixa apenas na hora da paquera, essa pessoa pode se mostrar interessada na conversa ou demonstrar total desinteresse pelo assunto e/ou interlocutor, tudo o que você precisa fazer é observar a direção que seu corpo aponta. Por exemplo, quando você e o gato estão conversando e ele está totalmente virado para você com o corpo inclinado na sua direção, significa que ele está interessado no assunto e no que você está dizendo – e consequentemente em você. Geralmente os pés apontam a direção que gostariam de ir, se ele está conversando meio de lado como se estivesse pronto para ir embora a qualquer momento isso significa que a conversa não está agradando e que ele não vê a hora de se livrar de você. A direção de seu corpo e pés também podem apontar onde ou com quem gostaria de estar.

Vocês querem um exercício prático? Procurem fotos de Robert Pattinson e Kristen Stewart antes de eles assumirem o namoro, era nítido que tinha alguma coisa acontecendo entre eles.

Claro que você deve usar o bom senso, numa conversa em grupo a dinâmica pode mudar com a intervenção de vários interlocutores, mas se ele realmente estiver interessado em você, ele vai arrumar uma desculpa, um assunto ou uma maneira de ficar mais próximo a você e iniciar uma conversa unilateral.

Quando estamos interessados em alguém nossos olhos podem ser reveladores, dizem que os olhos são o espelho da alma e talvez haja um pouco de verdade nisso, quando olhamos a pessoa desejada nossos olhos adquirem um brilho mais intenso e as pupilas se dilatam até quatro vezes o tamanho normal. Mas para isso você tem que levar em consideração o ambiente e iluminação, seja racional!

As mulheres usam alguns gestos aparentemente simples como arrumar ou sacudir os cabelos, alisar a roupa, colocar uma mão, ou as duas, no quadril, direcionar o corpo e/ou um pé na direção do homem, lançar longos olhares que demoram mais que o necessário. As pupilas se dilatam e o rubor de nossas bochechas podem revelar coisas que conscientemente não queremos.
Quando estamos afim de alguém exibimos nossos pulsos – que são considerados uma das zonas mais eróticas do corpo, exibimos também as palmas das mãos enquanto conversamos, sinal de que estamos abertas as possibilidades, esse gesto fica mais fácil quando se é fumante. Algumas mulheres inconscientemente usam o famoso efeito Marilyn Monroe, o olhar de esguelha com as pálpebras um pouco baixas, elas sustentam o olhar do homem para que ele se dê conta da situação e assim que consegue desvia o olhar. Essa é uma forma sedutora de espiar e ser espiado.

Outro sinal que as mulheres usam quando estão afim de um cara é o cruzamento de pernas, utilizando-se de diversas posições básicas para comunicar a atração sexual como apontar com o joelho, assim uma perna se dobra debaixo da outra e o joelho da perna cruzada destaca a pessoa que despertou seu interesse. É uma postura mais relaxada que tira a formalidade da conversa e deixa as coxas mais expostas. Quase todos os homens acham que pernas cruzadas tornam a mulher sentada mais atraente, é uma posição que as mulheres usam conscientemente para chamar a atenção, o cruzar e descruzar das pernas com lentidão acariciando as coxas indicam o desejo se serem tocadas.

Agora os homens emitem menos sinais que as mulheres, mas não menos aparentes e perceptíveis. Quando um homem estiver interessado em uma mulher ele se preocupará com sua vestimenta, alisará a gola ou a camisa, vai tirar um pó imaginário dos ombros ou arrumará a camisa, jaqueta ou qualquer outro objeto ou acessório que estiver usando, é possível que passe a mão pelos cabelos. O homem pode adotar também uma atitude sexualmente mais agressiva ao colocar os polegares no cinto ou as mãos no bolso evidenciando a genitália. Ele também pode usar a tática do olhar, sustentá-lo durante uma fração de segundo mais do que o normal e se ele realmente estiver interessado suas pupilas se dilatarão. Outro ponto em comum que os homens têm conosco é o uso das pernas, pés e direção do corpo para indicar seu interesse, mas este assunto já foi abordado mais acima.

O fato é que todos nós emitimos sinais não só quando estamos afim de uma pessoa mas em diversas, senão todas, situações do cotidiano alguns mais evidentes que outros, emitimos sinais de raiva, alegria, tristeza, quando alguma coisa nos incomoda ou nos deixa feliz, precisamos apenas estar atentas para decodificá-los, isso pode ajudar não só em relação a garotos, mas em qualquer âmbido da vida.

Os homens insistem em dizer que somos complicadas e difíceis de entender, mas eles também são assim, talvez não da mesma maneira que nós, mas não menos misteriosos. O homem parece ter a necessidade de ter várias cartas na manga, ou seja, eles sempre estão atrás de várias mulheres, me corrijam se eu estiver errada mas um cara pode amar uma mulher e demostrar total interesse em outra na frente dela, eu já vi isso acontecendo e é uma coisa que eu sinceramente não consigo entender. Se tiver algum homem disposto a esclarecer este assunto, por favor, comentem este post precisamos de informações para tentar entender o lado masculino da questão, se vocês estão afim de uma mulher por que agem dessa maneira? Talvez sejamos confusas por reflexo destas atitudes, reflitam.
Muitos deles reclamam que a iniciativa sempre tem que partir deles, mas quando nós damos o primeiro passo eles também reclamam! Eles se assustam e dão a impressão de se sentirem menos homens, então afinal o que vocês pensam e realmente querem?
Essa é só a ponta do iceberg, como devem ter percebido o comportamento masculino pode ser muito complexo. Tudo bem que quase tudo gira em torno de sexo e mostrar o quão homens eles são, mas acredito que exista um lado sentimental que poucos têm coragem de mostrar, um lado vulnerável que fica escondido embaixo dessa pose toda de “eu sou foda” e nós queremos conhecer este lado também.

Além dessas complexas questões masculinas que ainda não temos respostas, eu perguntei para vários amigos sobre as atitudes que tomam quando estão afim de uma mulher e a maioria deles afirmaram serem diretos, chegam na lata e perguntam, mas não deixam de usar alguns sinais como o olhar mais intenso, prestar mais atenção ao que ela diz, tocá-la com um pouco mais de frequência e certamente a direção do corpo e dos pés tornam evidentes as suas intenções, mas isso é tão inconsciente que ninguém percebe. Disseram que essa abordagem pode mudar se a pessoa for sua amiga, porque se não der certo eles podem perder muito mais do que um simples casinho de amor. Mas disseram também que é meio complicado saber quando a mulher está afim deles, alguns ficam com receio de chegar e constatar que tudo foi fruto da sua imaginação, que ela só estava sendo legal e muitos já foram traumatizados por este tipo de situação, portanto, preferem que tomemos a iniciativa ou procuram um intermediador para ajudá-los. Outros são mais caras de pau e sem muita certeza chegam e perguntam, eles são corajosos devemos admitir, e suas chances de sucesso são maiores, eles afirmam que o não eles já têm o que eles precisam é lutar pelo sim, nada mais poético.

Para nós, mulheres, existem diversos cenários, mas vou citar apenas aqueles que julgo serem os principais, afinal são muitos e nossa intenção não é essa.
Existem as mulheres corajosas que tomam a iniciativa, partem para o ataque e não tem medo de um não, talvez isso intimide os homens mas nunca se sabe, podemos nos surpreender. Existem as mulheres que apenas dão os sinais para que os homens tomem a iniciativa, elas usam e abusam de olhares, jogadas de cabelo, cruzadas de pernas e o famoso olhar Marilyn Monroe, o resto fica por conta deles. E outras que simplesmente não sabem seduzir e nem reconhecem quando estão sendo seduzidas, estas (e eu me encaixo neste perfil) são as mais sem noção de todas, pois além de perder grandes oportunidades elas acabam enfrentando situações minimamente cômicas.
Nem citarei o que acontece quando nos apaixonamos por uma pessoa próxima porque este assunto já discutimos em “Existe amizade entre homens e mulheres”.

Mas além de todas essas possibilidades e situações existe uma outra um pouco mais complicada que foi mencionada por quase todos que entrevistei, que é descobrir se a pessoa que você está afim também está afim de você, o que fazer quando isso acontece?
Acho que o mais importante de tudo é você estar atenta para não perder uma oportunidade, prestar atenção ao sinais que o cara emite, tentar interpretá-los da forma mais racional possível e ponderar os prós e contras, um amigo próximo aos dois pode ajudar neste caso. E, óbviamente, demonstrar que também está afim do cara e ver qual será a resposta, mas faça isso sempre respeitando a sua natureza, se você for do tipo que pergunta sem medo de ser feliz, ótimo!, mas se não for, procure outra maneira de descobrir. Devemos correr atrás da nossa felicidade respeitando nossos limites, não adianta nada você chegar no cara, levar um não na cara e depois ir pra casa chorando se sentindo um lixo. É importante você dizer o que sente, mas esteja preparada para tudo.

O problema é que nós mulheres somos criadas para acreditar em príncipe encantado, contos de fadas e o felizes para sempre, todos aqueles contos da Disney não nos prepararam para a realidade e quando a vida acontece, ela mostra que nem sempre é possível viver nessa fantasia.

O cara que você está afim nem sempre estará afim de você, o relacionamento que deseja ter nem sempre suprirá as suas necessidades. Somos pessoas imperfeitas procurando pessoas perfeitas, somos serem completos procurando por metades que não existem. Quando estamos apaixonadas ou afim de um cara enxergamos todos estes sinais errados porque deixamos o coração falar mais alto e apesar de todo o desejo de possuir coisas como casa, carreira, carro e dinheiro, tudo que mais queremos é SER, ser feliz, e por que não ser feliz pra sempre? O sempre é muito relativo pode durar uma fração de segundos ou uma vida inteira, depende da sua intensidade e queremos encontrar o nosso príncipe encantado, mesmo sabendo que ele não virá nos salvar montado num cavalo branco, mas que de uma forma imperfeita ele será perfeito para nós.

Mulheres que Tomam Iniciativa

Por Débora Gumiero

Este tema, pode ser ou não, algo que agrade os homens, depende do ponto de vista dele e/ou as intenções dela mas, temos que encarar que este é um fato bem comum nos dias de hoje.

As mulheres estão cada dia mais equilibradas com os homens, e isso faz com que as deixem mais confiantes, independentes e livres para tomar a iniciativa, ou pelo menos demonstrar com mais clareza seu interesse.

Os homens dizem que acham a situação diferente, interessante, mas ainda reclamam que muitas mulheres se vulgarizam quando adotam este tipo de postura. Eles aceitam os olhares, a aproximação, se deixam envolver, mas há um momento em que eles precisam se sentir os donos da situação, e talvez nada mais natural, porque assim é a natureza “o macho domina a fêmea”. Eles precisam mostrar interesse, provar seus dotes, sejam físicos como de um homem que atendem à mulher para não se sentirem menos.

Do lado da mulher de atitude, tratando-se de bom senso,  ela, auto-confiante, chegará no cara e conversará com ele para mostrar o que ela tem de melhor… charme, inteligência, autenticidade, bom humor etc. Para ela as coisas são simples, sem rodeios já que ela sabe o que quer. Mas acredito que a maioria delas, depois de conseguir o que queria e tiver a tendência de querer mais depois, pode vir a calhar uma rejeição. Eles dizem que apesar de gostarem da iniciativa, eles perdem o tesão da situação porque o fato foi consumado.

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“As vezes tem uma iniciativa mas com uma atitude que não parece… desvalorizante mas, quebra um pouco o jogo, de fato!”  Rafael Furquin
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“Acho que tudo que não é comum estranha um pouco mas, isso tende a acontecer cada vez mais” Vinícius Fortineli

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“Eu acho interessante. Na hora é meio estranho porque é diferente do que estou acostumado, mas não vejo porque elas não fazerem isso, já que estão interessadas. Mas sendo sincero, tira um pouco do encanto do ato da conquista às vezes.” Theodoro Mierle
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“Depende da ocasião, no caso de garotas que são muito atiradas e acabam deixando as coisas muito fáceis, correm um sério risco de serem usadas só pelo momento. Se for pra ter algo sério, não me importo de esperar o movimento da sedução mas prefiro que a iniciativa parta do homem!” João Menezes
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Eis o machismo que ainda está impregnado em nossa sociedade. Os homens cobram atitude, mas mulheres que tomam essa atitude, muitas vezes são automaticamente desvalorizadas no conceito deles, algo bem irracional como ação e reação.  Isso só mostra a ligação entre homem x desafio.

É meninas, acredito que a iniciativa, para ser positiva (caso você pense em algo pra depois), pode ser algo sutil, de leve, sem afronto. Assim você não perde a oportunidade e nem ele. rs

Mas num geral, não devemos nos prender a regras, porque uns vão gostar, quem sabe se apaixonar (por você) pela sua iniciativa e outros nem tanto. O que realmente interessa é você se manter autêntica e não se sabotar. Faça o que quiser, quando quiser, com quem tiver vontade… sem forçar nada!

By the way… como disse Voltaire “O maior problema e o único que nos deve preocupar é vivermos felizes” 😉

Um beijo
Débora Gumiero

Cinquenta Tons de Cinza – o buraco é bem mais embaixo

Por Caroline Nishi

A decepção nada mais é que uma expectativa frustrada, acho que essa frase define o que eu sinto quando penso nesse livro.
A editora Intrínseca investiu num marketing pesado para divulgá-lo, ele é sucesso garantido em todo lugar que é lançado e a editora não economizou para garantir os direitos de publicação da obra, que custou U$$ 780 mil. Para cobrir estes gastos, a Intrínseca precisaria vender 170 mil exemplares e em três semanas o livro chegou a uma marca inédita no Brasil, em três semanas foram vendidos mais de 200 mil exemplares! No Reino Unido bateu recorde de venda na Amazon estabelecido por Harry Potter, ou seja, 50 tons vendeu em 4 meses o que HP levou 14 anos e essa febre parece longe de acabar, a Focus Featured comprou os direitos pela produção cinematográfica da obra pelo valor mínimo de U$$ 5 milhões, que também é outro recorde absurdo.

Mas depois desse marketing todo, desse boom de atenção que a obra recebeu fui convencida a comprar o livro, ainda não consegui terminá-lo, faltam poucas páginas – que estão se arrastando para acabar – e confesso que me decepcionei e muito. A autora explora um enredo que já foi explorado à exaustão pela Stephenie Meyer e por outros autores que vieram em seguida. Não se trata de história de vampiros que brilham, mas explora os mesmos arquétipos: menina insegura que não enxerga sua própria beleza e homem extremamente seguro de si (pelo menos aparentemente), lindo, perfeito com um corpo escultural e seu tipicamente cabelos da cor de bronze naturalmente bagunçados, com dinheiro e poder para realizar suas fantasias mais estapafúrdias, que se lembra de tudo que fala e gosta, um cara ciumento e dominador – no caso de Grey a aplicação da palavra dominador tem outro sentido.
A história também não muda, um cara intangível se envolve com uma garota comum e que no final acaba se apaixonado perdidamente por ela, até mesmo a psiquê dos personagens são semelhantes.
Sabe o que é mais irritante? Se você leu Crepúsculo sabe disso, mas a medida que a leitura avança dá a impressão de que você está lendo novamente a história de Edward e Bella, é a mesma ladainha, os mesmos personagens, os mesmos diálogos e pensamentos e as mesmas irritantes comparações.
O que muda na história é que Grey faz na centésima página o que Edward não foi capaz em 1500 páginas, TRANSAR!

Cinquenta tons deu destaque a um outro nicho no mercado editorial, a chamada literatura erótica, talvez este seja o motivo de tanta fumaça para pouco fogo, novidade com uma pitada de sacanagem. Cinquenta tons além de descrever as cenas de sexo, aborda também o masoquismo, tema ainda é considerado tabú em nossa sociedade, a relação dominador e submissa e o uso de acessórios na hora do prazer como chicotes, algemas e mordaças.
E, apesar de muitos estarem pensando “nossa, que tenso”, esse livro não tem nada de pesado eu esperava algo muito mais agressivo, Grey está a procura de sexo e realização dos seus prazeres mais secretos, mas como a história é narrada sob o ponto de vista de Anastasia tudo é “romantizado”, até mesmo quando Grey diz “quero te foder com força” o coração de Ana vibra descompassadamente apaixonado.

Tudo isso somado ao marketing investido pela editora aumentou o appeal sobre o livro. Não posso negar que a leitura seja interessante, mas não tem nada de complexo e que acrescente alguma coisa em sua vida, além de outras ideias de como usar uma gravata. Novamente, o texto é muito mais do mesmo, sem inovação, sem entusiasmo, o texto não é inteligente, os diálogos são muito clichês – não mais que os orgasmos de Ana – e os personagens pouco atraentes. Federico Moccia consegue fazer isso muito melhor com muito menos e com histórias voltadas para o público adolescente e não supostamente para mulheres adultas.
O sucesso desta série também pode significar outra coisa, os homens precisam usar mais a imaginação na hora do sexo, menos falso moralismo e mais satisfação dos seus verdadeiros prazeres, o que acontece entre 4 paredes deve ficar por lá.

Resumindo, 50 tons é estável e previsível. Para mim não valeu os R$ 39,90 que paguei, não acrescentou nem significou nada para mim, este é um daqueles livros que apenas li (acompanhei a massa e me dei mal) não me emocionei, não me identifiquei com a personagem, com a história e com o insulto à feminilidade e independência que as mulheres conquistaram, pois ao contrário do que muitos andam dizendo por aí, nem todas as mulheres desejam ser submissas, é sufocante pensar na ideia de deixar um cara dominar literalmente a sua vida. Quando surgiu o filme O Segredo de Brokeback Mountain ninguém saiu por aí dizendo que todo homem tem um lado homossexual dentro de si então, por favor, também não tirem conclusões precipitadas.

Vamos ver o que a sequência terá a nos oferecer. Quem sabe as coisas se tornam mais quentes, a história mais interessante e os personagens menos previsíveis. E se o livro é considerado erótico, nada mais justo do que ter mais cenas de sexo.

Dica de leitura: Um Homem de Sorte

Por Caroline Nishi

É certo que algumas coisas sempre aparecem para complementar outras e isso é constante na minha vida, principalmente quando se trata de livros e filmes. Eu tinha comprado este livro e meus amigos ficaram alvoroçados pra eu começar a ler, mas até então eu não estava muito no clima de ler um romance do Nicholas Sparks e tinha até começado a ler outro, mas eis que resolvo assistir o trailer do filme – que será lançado hoje! -, e me encantei pela história principalmente depois de descobrir que o protagonista é o Zac Efron. Grito histórico – Ahhhhhh!!!! -, eu sei que soa infantil e blá blá blá, mas eu vi esse menino crescer assistindo HSM e cresci junto (bom, nem tanto assim vai, eu já era velha na época), e eu não botava muita fé no talento dele como ator até assistir Vida e Morte de Charlie St. Cloud, se ainda não assistiu você DEVE assistir.

Enfim, estamos falando de Nicholas Sparks, um dos autores mais idolatrados da literatura atual e seus livros sempre são sinônimos de duas coisas: 1. romances realmente bons e 2. você com certeza vai se emocionar em alguma parte da leitura, o que significa chorar horrores (parafraseando meu amigo Evandro). Seus temas giram em torno de valores e sentimentos tão ausentes das nossas vidas hoje que qualquer menção a um deles faz sua leitura muito mais rica e ao mesmo tempo triste ao pensar na utopia de viver algo semelhante. Se você assistiu/leu Um Amor pra Recordar, A Última Música, Querido John, Diário de uma Paixão sabe do que estou falando.

Nessa história, ele nos apresenta Logan Thibault, um cara que viveu uma vida regrada e sempre conseguiu o que queria, ele sempre tinha um plano. Ele quis ser bem-sucedido na escola e conseguiu, ele queria praticar todos os esportes e cresceu praticando quase todos. Quis tocar violino e aprendeu. Depois de se formar na faculdade, decidiu que queria entrar para os Fuzileiros Navais, assim como seu pai, e entrou.

Com tudo o que aconteceu após os atentados do dia 11 de setembro, não fica difícil imaginar por quais caminhos Logan percorreu, Kuwaitt e Iraque foram alguns de seus destinos, e por mais triste e traumático que um cenário de guerra pode ser, não foi ela que mudou o rumo da sua vida, o divisor de águas foi uma foto que ele encontrou durante suas corridas matinais no deserto e a partir de então o inesperado, o impensado e o não planejado passa a acontecer na vida dele.

A foto é um pouco antiga de uma garota de uns 20 poucos anos de idade. Ela vestia uma camiseta estampada com a frase garota de sorte, com uma pequena mensagem escrita no verso “Se cuida! E.”. Num primeiro momento, Logan pensou que alguém tivesse perdido, então afixou a foto no quadro de avisos do centro de informática na esperança de o dono, mais cedo ou mais tarde, passar por lá. Após algumas semanas a foto permanecia no mural e num ímpeto, que ele jamais soube explicar, Logan pega a foto e guarda no bolso e desde então ela o acompanha aonde quer que vá.

Após uma partida de poker, ele explica a seu amigo Victor como encontrou a foto e destaca a frase na camiseta da garota. Victor, muito supersticioso, diz a Logan que aquele é seu amuleto da sorte, foi encontrado no momento mais poderoso do dia, o amanhecer, e lhe diz para jamais perdê-la pois sua perda poderia significar o efeito contrário e azar não é um luxo que se pode ter quando se está no meio da guerra. Logan, mesmo não acreditando muito nessa história de amuleto da sorte, carregar a foto consigo onde quer que vá e inexplicavelmente se livra de várias situações de perigo e escapa da morte várias ocasiões e com isso, acabam surgindo boatos de que ele tem pacto com o demônio. Depois de alguns anos de serviço eles resolvem pedir licença, ambos haviam feito a parte que lhes cabiam, Victor queria se casar e Logan já estava cansado da guerra.

Logan foi padrinho de casamento de Victor, a amizade resiste à guerra e um dia eles resolvem sair para pescar somente os 2 para relembrar os velhos tempos. Durante a pescaria Victor volta a tocar no assunto da foto, diz que Logan deveria ir atrás daquela mulher, pois ele acha que a história deles ainda não acabou, falta um equilíbrio que só será encontrado quando Logan a conhecer. Ele ainda permanece resistente à ideia de ir atrás dela e tem medo de não conseguir encontrá-la, mas Victor está tão convicto de que ele vai conseguir encontrá-la que, após acontecimentos alheios à sua vontade mas que reafirmam a teoria do amigo, Logan resolve arriscar e parte numa jornada em busca da misteriosa E.

Ele faz sua mochila e bota o pé na estrada com seu fiel companheiro Zeus. Logan atravessa o país a pé e quando chega à cidade de Hampton tem uma estranha certeza de que aquele é o seu lugar. Não demora muito para ele descobrir que o nome da mulher da foto é Elizabeth, ex-mulher de um policial conhecido na cidade e que administra um canil junto com Nana, sua avó. Na manhã seguinte ele vai procurá-la e descobre que está precisando de um ajudante para o canil e essa lhe parece a maneira ideal de agradecer. Mas Logan não estava preparado para o encontro com Elizabeth, ela era apenas um amuleto, um sonho utópico e vê-la assim na sua frente foi no mínimo chocante, ao fitá-la pela primeira vez em 5 anos, Logan constata que a fotografia não fez a mínima justiça à sua beleza. Ele se sente naturalmente atraído por ela, Elizabeth, por sua vez, não sabe nada sobre este estranho que está se candidatando a vaga de ajudante no canil, então se mantém arredia.

A vida de Elizabeth não é nada fácil, ela é professora, nas horas livres ajuda Nana (sua mãe) no canil, precisa cuidar de Ben, seu filho de 12 anos e além de tudo ter paciência e tempo para lidar com o imaturo ex-marido, o policial Keith Clayton. Inexplicavelmente, sua vida amorosa é quase nula, toda vez que conhece um cara interessante ele desaparece, para de ligar, não responde suas ligações e nunca mais a procura e numa cidade pequena como Hampton você não tem muitas opções. Quando Logan aparece em sua casa é quase impossível não notar sua beleza rústica e encantadora, ela percebe que ele não é um cara que gosta de se mostrar, ele é introspectivo e muito reservado, além de ser muito educado, e o fato de ele ter saído do Colorado e atravessado praticamente todo o país a pé para chegar em Hampton e trabalhar como ajudante num canil é uma ideia que ela não consegue aceitar.

O relacionamento dos dois não começa muito bem, primeiro porque Logan decide não contar o que verdadeiramente o trouxe à Hampton, segundo porque, além de Elizabeth achar que Logan é louco por atravessar o país a pé e não acreditar 100% nos seus motivos, ele é ex-fuzileiro naval e isso ainda lhe traz lembranças muito tristes. Mas aos poucos e com a ajuda de Nana, eles vão se conhecendo melhor, quebrando algumas barreiras, Logan deixa de ser tão reservado e Elizabeth passa a apreciar mais sua companhia e, assim como a noite vem depois do dia, é inevitável que eles se apaixonem.

Este, com certeza, é o melhor romance que li do Nicholas Sparks, mais maduro, consistente e real, sem aquele sonho utópico de que o amor muda as pessoas, sem aqueles clichês tão comuns num romance. Neste livro ele fala de um amor que não vem pronto, não é a primeira vista tampouco efêmero, é um amor feito para durar a vida inteira, que parece predestinado, natural, aquele que acontece aos poucos, sem pressa, que é cultivado dia após dia, não com poemas e declarações shakesperianas de amor, mas numa simples troca de olhares ou em uma hora de conversa, um se torna a extensão do outro, este amor é um daqueles motivos de valer a pena buscar algum sentido na vida.

E mais uma vez falo de destino, o que é destino para você?

Você acredita que tudo o que acontece tem um motivo, uma razão de ser, indepente de ser sua escolha ou não, ou você acredita que destino é a consequência de certas escolhas que ecoam pelo resto da sua vida?

Eu ainda não sei se acredito em destino, sou uma pessoa muito mais científica que de fé, preciso ver pra crer, saber como funciona, por que é assim, por que é assado, cutucar e ver se é real. Mas, como eu disse, mais uma vez estou aqui falando de destino e o grande E SE? da vida.

E SE o cara não tivesse perdido a foto, ele estaria vivo? E SE Logan não tivesse encontrado a foto, ele estaria vivo para contar a história? E SE ele não tivesse ido atrás de Elizabeth, tudo isso teria acontecido?

Logan, assim como nós, estava à espera de um pequeno sinal da vida, aquele que te diz “esse não é o seu caminho, vá por aquele outro” ou aquele momento em que tudo o que você havia planejado rui diante dos seus olhos, para ultrapassa a linha tênue que o separava do destino e suas escolhas, pois quando suas escolhas já não fazem mais sentido, nada mais sensato do que parar de planejar e seguir o curso da vida, onde quer que ele te leve, afinal, o seu destino por ser surpreendente.

Bom, agora tenho que ir, vou assistir Um Homem de Sorte e não posso chegar atrasada, depois eu conto como foi.