Os delírios de consumo da Forever 21

A inauguração da Forever 21 aconteceu já faz algum tempo e ainda é possível encontrar filas inacreditáveis para entrar na loja. Reconheço a minha ignorância ao dizer que não conhecia a loja e tampouco a sua proposta de preços mais acessíveis.

Se antes eu achava doentia a ideia de ver filas enormes para comprar aparelhos eletrônicos, eu certamente não estava preparada para a Forever 21.

No final de semana de inauguração a loja levou mais de 3 mil pessoas ao shopping Morumbi. Filas intermináveis se formaram para entrar na loja – leia atentamente, filas enormes para ENTRAR na loja, além da fila que você tinha que enfrentar para pagar sua compra. No primeiro sábado, contam as nossas fontes, que a loja baixou as portas às 18h porque se eles continuassem abertos não saberiam a hora que conseguiriam fechar, neste dia a última compra finalizada foi às 3h da manhã!
Insano, doentio e digno de fazer parte da série Os Delírios de Consumo da Beck Bloom, da Sophie Kinsella.
Esse é o cenário que se via em frente a loja, essa foto foi tirada por uma leitora do Elamundo que encontrou esta fila na frente da Forever 21. E ai, você encarou? Ela acabou desistindo.

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O barato agora é cool
Acho incrivelmente fascinante essas guinadas de conceito que as pessoas dão de tempos em tempos, se antes era cool você vestir roupas da marca x que eram carrérimas na época e só “pati” e “boy” usavam, hoje as mesmas pessoas que consomem essas marcas são as mesmas que enfrentam horas e horas de fila para entrar na Forever 21. Que, ironicamente, são as mesmas pessoas que torcem o nariz para roupas compradas nas lojas Marisa, C&A e Renner são aquelas que pagam (sei lá) R$ 10,00 numa blusinha na F21.

A que conclusão podemos chegar sobre isso?
É cool pagar barato numa peça de vestuário desde que a marca seja estrangeira. A GAP, por exemplo, é vendida em lojas de departamento nos USA (confirmar informação) similares as lojas da C&A aqui, é uma marca barata e acessível. No Brasil ela ganhou status de roupa de marca, virou uniforme de garotinhos de faculdade, assim como a Hollister, Abercrombie e a Aeropostale.

Brasil e as taxas e impostos abusivos
Isso pode até virar uma série literária de aventuras fantásticas porque eles só podem usar mágica para fazer cálculos, só pode. Mas pensando no ponto de vista mercadológico, a Forever 21 não é mais uma varejista de vestuário no Brasil, ela pode ser uma ameaça ao sistema atual de comércio. Muitas varejistas estrangeiras tentaram entrar no mercado brasileiro e não conseguiram, pelo menos não da maneira que esperavam. Mas os preços baixos da F21 pode ser uma grande ameaça para as grandes redes de vestuário.

Diferente de outras marcas que entraram recentemente no país como a Gap e Topshop, os preços da Forever 21 no Brasil estão, em reais, mais próximos dos valores praticados no exterior. Segundo levantamento do Itaú BBA, a rede tem os melhores preços em diversas categorias. Todos sabemos o motivo de os preços serem tão caros por aqui, o excesso de impostos e burocracia colocou o Brasil de novo na liderança no ranking de preços mais altos em comparação a outros países. O Índice Zara aponta que de 22 dos 87 países em que a grife está presente, o Brasil é o lugar onde os produtos da marca são mais caros (em dólares).
O relatório fez um comparativo com diversos itens, um vestido que custa US$ 79 nos USA e US$ 55 na Espanha – onde fica a matriz da marca – no Brasil chega ao valor de US$ 171,60. Os produtos aqui são 49,9% mais caros que nos USA.

O jeito Forever 21 de ser
É engraçado como o posicionamento da marca vai contra o que sua classe consumidora costuma prezar numa marca. A F21 não vende glamour, status ou “conceitos phynos”, seu único objetivo é vender. A estratégia da empresa é cortar gastos desnecessários, executivos não viajam em aviões de primeira classe e eles não contratam super celebridades para as suas campanhas.
Analistas afirmam que a única forma de garantir tamanha competitividade é a redução da margem de lucro. Ainda sugerem a possibilidade de a empresa ter oferecido preços mais baixos para ganhar mercado e depois subi-los na surdina. Do Won Ghang, fundador da marca, foi categórico ao afirmar que não “o compromisso da marca é manter o preço sempre acessível, faz parte da identidade da Forever 21”.

Agora estão dizendo que a loja ficará fechada por um tempo porque venderam todo o estoque. A conclusão a que chegamos sobre todo esse “furdunço” é que a Forever 21 chegou em grande estilo, causou furor, filas e muita expectativa. Um dia, quem sabe, nós do Elamundo consigamos visitar a loja e comprovar que ela é realmente digna de todo esse alvoroço até lá preferimos viver a nossa vida, afinal, moda é que nem dinheiro precisamos dizer quem é dono de quem, não somos vítimas da moda, aprendemos usa-la ao nosso favor.

Fontes:
http://www.valor.com.br/empresas/3482218/precos-baixos-da-forever-21-podem-ameacar-varejistas-brasileiras
http://veja.abril.com.br/noticia/economia/forever-21-chega-ao-brasil-com-roupas-de-fato-baratas
http://m.estadao.com.br/noticias/economia-geral,brasil-tem-roupas-mais-caras-do-mundo-aponta-indice-zara,181243,0.htm