Cinquenta Tons de Cinza – o buraco é bem mais embaixo

Por Caroline Nishi

A decepção nada mais é que uma expectativa frustrada, acho que essa frase define o que eu sinto quando penso nesse livro.
A editora Intrínseca investiu num marketing pesado para divulgá-lo, ele é sucesso garantido em todo lugar que é lançado e a editora não economizou para garantir os direitos de publicação da obra, que custou U$$ 780 mil. Para cobrir estes gastos, a Intrínseca precisaria vender 170 mil exemplares e em três semanas o livro chegou a uma marca inédita no Brasil, em três semanas foram vendidos mais de 200 mil exemplares! No Reino Unido bateu recorde de venda na Amazon estabelecido por Harry Potter, ou seja, 50 tons vendeu em 4 meses o que HP levou 14 anos e essa febre parece longe de acabar, a Focus Featured comprou os direitos pela produção cinematográfica da obra pelo valor mínimo de U$$ 5 milhões, que também é outro recorde absurdo.

Mas depois desse marketing todo, desse boom de atenção que a obra recebeu fui convencida a comprar o livro, ainda não consegui terminá-lo, faltam poucas páginas – que estão se arrastando para acabar – e confesso que me decepcionei e muito. A autora explora um enredo que já foi explorado à exaustão pela Stephenie Meyer e por outros autores que vieram em seguida. Não se trata de história de vampiros que brilham, mas explora os mesmos arquétipos: menina insegura que não enxerga sua própria beleza e homem extremamente seguro de si (pelo menos aparentemente), lindo, perfeito com um corpo escultural e seu tipicamente cabelos da cor de bronze naturalmente bagunçados, com dinheiro e poder para realizar suas fantasias mais estapafúrdias, que se lembra de tudo que fala e gosta, um cara ciumento e dominador – no caso de Grey a aplicação da palavra dominador tem outro sentido.
A história também não muda, um cara intangível se envolve com uma garota comum e que no final acaba se apaixonado perdidamente por ela, até mesmo a psiquê dos personagens são semelhantes.
Sabe o que é mais irritante? Se você leu Crepúsculo sabe disso, mas a medida que a leitura avança dá a impressão de que você está lendo novamente a história de Edward e Bella, é a mesma ladainha, os mesmos personagens, os mesmos diálogos e pensamentos e as mesmas irritantes comparações.
O que muda na história é que Grey faz na centésima página o que Edward não foi capaz em 1500 páginas, TRANSAR!

Cinquenta tons deu destaque a um outro nicho no mercado editorial, a chamada literatura erótica, talvez este seja o motivo de tanta fumaça para pouco fogo, novidade com uma pitada de sacanagem. Cinquenta tons além de descrever as cenas de sexo, aborda também o masoquismo, tema ainda é considerado tabú em nossa sociedade, a relação dominador e submissa e o uso de acessórios na hora do prazer como chicotes, algemas e mordaças.
E, apesar de muitos estarem pensando “nossa, que tenso”, esse livro não tem nada de pesado eu esperava algo muito mais agressivo, Grey está a procura de sexo e realização dos seus prazeres mais secretos, mas como a história é narrada sob o ponto de vista de Anastasia tudo é “romantizado”, até mesmo quando Grey diz “quero te foder com força” o coração de Ana vibra descompassadamente apaixonado.

Tudo isso somado ao marketing investido pela editora aumentou o appeal sobre o livro. Não posso negar que a leitura seja interessante, mas não tem nada de complexo e que acrescente alguma coisa em sua vida, além de outras ideias de como usar uma gravata. Novamente, o texto é muito mais do mesmo, sem inovação, sem entusiasmo, o texto não é inteligente, os diálogos são muito clichês – não mais que os orgasmos de Ana – e os personagens pouco atraentes. Federico Moccia consegue fazer isso muito melhor com muito menos e com histórias voltadas para o público adolescente e não supostamente para mulheres adultas.
O sucesso desta série também pode significar outra coisa, os homens precisam usar mais a imaginação na hora do sexo, menos falso moralismo e mais satisfação dos seus verdadeiros prazeres, o que acontece entre 4 paredes deve ficar por lá.

Resumindo, 50 tons é estável e previsível. Para mim não valeu os R$ 39,90 que paguei, não acrescentou nem significou nada para mim, este é um daqueles livros que apenas li (acompanhei a massa e me dei mal) não me emocionei, não me identifiquei com a personagem, com a história e com o insulto à feminilidade e independência que as mulheres conquistaram, pois ao contrário do que muitos andam dizendo por aí, nem todas as mulheres desejam ser submissas, é sufocante pensar na ideia de deixar um cara dominar literalmente a sua vida. Quando surgiu o filme O Segredo de Brokeback Mountain ninguém saiu por aí dizendo que todo homem tem um lado homossexual dentro de si então, por favor, também não tirem conclusões precipitadas.

Vamos ver o que a sequência terá a nos oferecer. Quem sabe as coisas se tornam mais quentes, a história mais interessante e os personagens menos previsíveis. E se o livro é considerado erótico, nada mais justo do que ter mais cenas de sexo.

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Falando em Sexo… Respostas interessantes

 Em qual lugar da vagina se dá o prazer feminino?

R: A mulher tem terminações nervosas que dão a sensação de prazer nos primeiros 3cm a 4cm a partir de seu intróito (abertura externa). O fundo da vagina não tem sensação.

É verdade que a grossura do pênis influencia mais do que o tamanho, no estímulo sexual?

R: Claro que um pênis muito fino pode não dar tanta satisfação sexual, mas o pior é um pênis muito grosso que grande parte das vezes machuca na hora da penetração, principalmente se a mulher não estiver bem excitada e lubrificada, e se o homem não for gentil.

Por que o homem goza mais fácil do que a mulher?

R: Porque o nível de excitação do homem é sempre mais alto. O homem está quase sempre pronto para o sexo. É também cultural.

O que é pompoarismo?

R: Pompoarismo é a arte de saber contrair os músculos vaginais para dar mais prazer ao homem, pois este sente estas contrações.

 O seio cresce, se estimulado?

R: Sim, o seio aumenta de tamanho em resposta a um estímulo sexual, assim como os mamilos ficam mais eretos e as aréolas dos mamilos ficam maiores e mais escuras.

O ponto G existe mesmo?

R: Ponto G masculino e feminino – este conceito é muito questionado. Não há comprovação científica que ateste a existência do Ponto G masculino ou feminino, mas sim regiões que, ao serem estimuladas, favorecem o orgasmo. É importante saber que existem zonas erógenas, tanto na região genital como em todo corpo, que proporcionam excitação, que variam de pessoa para pessoa.

Para os homens, as carícias na região perineal e anal podem estimular a próstata e favorecer a ereção. Para as mulheres, o canal vaginal possui uma plataforma orgástica, região mais sensível ao toque logo nos primeiros centímetros, que participa efetivamente na elevação da excitação.

Exercícios para fortalecer os músculos pélvicos ajudam mesmo a aumentar o prazer na hora sexo?

R: Sim pois as contrações vaginais são mais potentes e o orgasmo é mais prazeroso.

 É verdade que o pênis pode “quebrar”?

R: Sim. O pênis é formado de um tubo por onde passa a uretra, chamado de corpo esponjoso (que forma também a glande) e dois tubos chamados corpos cavernosos, que são os que ficam cheios de sangue para dar a ereção peniana. Ao redor desses dois tubos existe uma capa fibrosa denominada túnica albugínea que é o que não deixa o sangue sair durante a excitação e ereção (tem a consistência de um toldo = tecido que cobre a carga dos caminhões para que não se molhe). Ao ter uma penetração intempestiva, o que ocorre na maioria dos homens que querem ser os atletas sexuais, mudando muito de posição em frações de segundos, o pênis pode torcer e “quebrar”, isto é, aquela capa fibrosa se rompe e o sangue extravasa por esse local. Dependendo do grau de fratura, ocorre a impotência. A posição que mais facilmente deixa que isso ocorra é a mulher por cima ao penetrar sem cuidado e com muita rapidez.

 Qual é a média de relações sexuais do brasileiro?

R: De acordo com a última pesquisa realizada pela USP e publicada este ano, a média de relações sexuais para o brasileiro é de 2 a 3 por semana, principalmente porque no nordeste a média é maior.

Fonte: Dra. Sylvia F.Marzano
Médica urologista e terapeuta sexual
Diretora do Instituto ISEXP
Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática